• Quinta-feira, 5 de março de 2026

Há “esgotamento da sociedade” sobre alta de tributo, diz economista

Ajuste fiscal para estabilizar trajetória do endividamento será de 1,5 ponto percentual, segundo Natalie Victal.

A economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, 36 anos, disse que há um “esgotamento da sociedade” sobre a alta de tributos. A agenda de revisão de gastos “nunca foi tão urgente”, segundo ela. O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregará uma dívida pública maior do que quando assumiu mesmo com a queda do deficit primário.

A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) subiu para 78,6% do PIB (Produto Interno Bruto) em outubro. Aumentou 7 pontos percentuais no governo Lula e se aproximou de R$ 10 trilhões.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta 5ª feira (4.dez.2025) que o deficit primário acumulado nos 4 anos do governo Lula será 70% inferior ao registrado no mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A economista-chefe afirmou que, apesar da queda do deficit primário, o endividamento do país segue subindo.

Natalie defendeu que seria necessário, pelo menos, um superavit primário anual de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) para estabilizar a trajetória de alta do endividamento. Segundo ela, o ajuste fiscal seria de 1,5 ponto percentual para atingir o objetivo mínimo.

Natalie avalia que a situação fiscal é “muito frágil”. Disse que houve uma recomposição da receita público como proporção do PIB, mas há pressões para gastos de todos os poderes e dos entes da Federação.

A economista-chefe disse que uma agenda “séria” de revisão de gastos públicos ficará para 2027, porque o ano de 2026 deverá ter um aumento do impulso fiscal por causa das eleições.

“Mesmo se tivesse que pagar mais imposto, a gente precisaria discutir o gasto obrigatório, mas dado que a gente já teve uma recomposição de receita importante, se torna mais urgente a gente debater o gasto obrigatório”, disse.

A economista concedeu entrevista ao Poder360, gravada em 27 de novembro de 2025. Ela é formada em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem especialização na Universidade de Nottinghan, na Inglaterra, e mestrado na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

Natalie atuou na Kyros Investimentos, na Garde Asset Management e está há mais de 3 anos como economista-chefe da SulAmérica Investimentos, gestora com 29 anos de experiência e mais de R$ 88 bilhões sob administração.

Assista à íntegra da entrevista (1h00):

A taxa básica, a Selic, deve permanecer em 15% ao ano, segundo a Natalie Victal, até em março de 2026. Se houver revisão, seria para ainda mais tarde. Apesar do consenso de que a economia brasileira está desacelerando, os dados recentes ainda têm movimentos mistos. Indicadores de crédito mais fortes e a resiliência do mercado de trabalho sugerem que a atividade ainda segue aquecida, o que reduz a urgência de afrouxamento monetário.

Na avaliação da gestora, o PIB deve crescer 2,2% em 2026. O resultado do próximo ano será influenciado pelo impulso fiscal típico de anos eleitorais, fenômeno que se repete no país independentemente da orientação política dos governos.

A política fiscal expansionista do governo federal, demais poderes e entes Federais deve atrasar o ciclo de corte de juros e manter a inflação em níveis mais altos.

Natalie declarou que a meta a ser perseguida é de 3%, e não os 4,5% do teto da banda. Ela defendeu que mirar no limite superior pode levar a uma inflação sistematicamente acima do tolerado, punindo especialmente as famílias de renda mais baixa.

“A inflação descontrolada aumenta a desigualdade. O Bolsa Família só é possível a partir do momento que o poder de compra da moeda é controlado”, disse a economista-chefe.

Leia abaixo trechos da entrevista:

Por: Poder360

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