Pesquisadores registraram um comportamento raro entre chimpanzés no Parque Nacional de Kibale, em Uganda: uma grande comunidade, antes estável, se dividiu em dois grupos rivais que passaram a protagonizar confrontos violentos.
O caso, descrito por cientistas como uma espécie de “Guerra Civil”, envolve cerca de 200 chimpanzés da espécie Pan troglodytes e vem sendo acompanhado há décadas. A classificação é usada para descrever a intensidade e a frequência dos embates, muitos deles relacionados à disputa por território.
O fenômeno é analisado em um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Texas e publicado na revista Science, que acompanha uma das maiores populações de chimpanzés já observadas em ambiente selvagem.
Mudanças no comportamento social
De acordo com os cientistas, a ruptura não ocorreu de forma repentina. Ao longo de aproximadamente 30 anos de monitoramento, foram identificados sinais graduais de mudança no comportamento social, como o fortalecimento de vínculos entre determinados indivíduos e o distanciamento de outros membros do grupo.
Esse processo levou à formação de subgrupos cada vez mais definidos, até culminar na separação e no início dos confrontos. Para os pesquisadores, o episódio representa um tipo de “conflito organizado” e pode ajudar a ampliar a compreensão sobre a organização social dos primatas, além de oferecer pistas sobre as origens evolutivas de disputas entre grupos.
O monitoramento da região continua, e a expectativa é que novas análises revelem mais detalhes sobre como e por que comunidades complexas entram em colapso social.





