O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu que errou ao usar a homossexualidade como exemplo de ofensa ao comentar críticas ao ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). A declaração foi havia sido dada em entrevista à TV Globo.
Ao justificar a inclusão do pré-candidato à presidência da República no inquérito das fake news, o ministro disse:
Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?
A fala gerou repercussão, e poucas horas depois o próprio Gilmar voltou atrás. Em uma postagem nas redes sociais, ele reconheceu o erro:
“Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa,” disso o ministro, que completou o pedido de desculpas mantendo o tom crítico ao ex-governador. “Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo.”
Mesmo com o recuo, o ministro reforçou o discurso de que o Supremo tem sido alvo de ataques e defendeu a continuidade do chamado inquérito das fake news, conduzido por Alexandre de Moraes.
A investigação foi aberta em 2019 para apurar ameaças e ataques contra ministros da Corte e, desde então, virou alvo de críticas da oposição e de juristas, que criticam o fato de o inquérito ter sido aberto de ofício, pelo próprio STF, e também pela abrangência da investigação.
O pedido de inclusão de Zema no inquérito veio após o político publicar um vídeo em que ministros do STF aparecem como fantoches, em uma crítica envolvendo também Dias Toffoli e menções ao caso do Banco Master.
A reação no Congresso foi imediata. Parlamentares da oposição articulam um novo pedido de impeachment contra Gilmar Mendes.
O episódio se soma a uma escalada de declarações entre Gilmar Mendes e Romeu Zema ao longo da semana. Em outra em entrevista, o ministro chegou a ironizar o jeito de falar do ex-governador:
“Ele fala um dialeto próximo do português, muitas vezes a gente não o entende.”
Ofendido, Zema respondeu nas redes sociais, criticando o que chamou de distância do Supremo em relação à população:
“O linguajar de brasileiros simples como eu é diferente do português esnobe dos intocáveis de Brasília.”





