Entre as notícias positivas da líder mundial de aços no Brasil em 2025 estão a ocupação de 100% da capacidade de produção da moderníssima linha de galvanização em São Francisco do Sul e aquisição das empresas Tuper e Dânica de Santa Catarina. Mas isso não foi suficiente para ter resultado positivo no balanço do ano passado, que foi duramente impactado pelas importações de aço da China, que a empresa chamou de predatórias, e pelo tarifaço dos Estados Unidos.
Mesmo assim, a companhia fechou o ano mantendo a liderança no Brasil, respondendo por 42% da produção nacional de aço bruto. A receita líquida consolidada da companhia somou R$ 61,76 bilhões, com retração de 7,2% frente a 2024. O Ebitda consolidado chegou a R$ 8,08 bilhões e o resultado final foi prejuízo de R$ 2,2 bilhões.
O ano de 2025 foi difícil para a ArcelorMittal, diante desafios vindos do exterior, em meio a guerras de tarifas e guerras reais. A companhia informou que teve resultado afetado por importações da China, que cresceram 20,4% no Brasil ano passado frente a 2024. Frente a média de 2000 a 2019, as importações cresceram 160%, por prática de “preços predatórios”.
Além disso, o tarifaço de 50% dos Estados Unidos afetou a margem de rentabilidade da empresa porque ela teve que pagar parte dessa tarifa para seguir vendendo.
A ArcelorMittal fechou 2025 com participação mais robusta no setor industrial em Santa Catarina. No mês de março, anunciou a aquisição de 100% da Tuper, fabricante de tubos de aço com duas fábricas e faturamento bilionário em São Bento do Sul.
No mesmo mês, anunciou a aquisição da Dânica, de Joinville, uma fabricante de sistemas termoisolantes, que inclui estruturas para câmaras frigoríficas, paredes e telhas. Além disso, no final de 2024 inaugurou nova linha de produção na unidade de São Francisco do Sul e nova fábrica da Perfilor, em Araquari, somando cinco unidades fabris em SC.
O CEO da Arcelor Brasil, Jorge Oliveira, informou ao portal do Valor após a divulgação do balanço que o grupo finalizou investimentos de R$ 25 bilhões iniciados em 2022 e planeja mais um investimento de peso, que é a expansão da produção de aços galvanizados no Espírito Santo, com investimento de R$ 4 bilhões até 2029.
Ele afirmou que o Brasil é estratégico para a ArcelorMittal. Por isso, junto com o Instituto Aço Brasil, da qual é afiliada, se posicionou em relação à defesa comercial. Empresas do setor estão sugerindo medidas ao governo federal para que o mercado seja equilibrado, sem importações fora da normalidade.
Os dados consolidados do balanço da ArcelorMittal no Brasil resultam dos resultados de todas as unidades de aço e minério no Brasil (Andrade e Serra Azul, AM Project), AM Pecém, AM Bioflorestas, AM Acindar, AM Costa Rica, Unicon Venezuela, Belgo Arames, AM Bioflorestas, AM Sistemas, Tuper, Dânica, Perfilor, Tekno e AM Energias Renováveis (antes Atlas).





