• Terça-feira, 14 de abril de 2026

Genômica revoluciona a pecuária brasileira e acelera ganhos de produtividade no rebanho

Tecnologia baseada no DNA reduz custos, encurta o tempo de seleção e eleva a eficiência genética, colocando o Brasil em destaque no cenário global; Genômica está no centro do melhoramento genético de bovinos, afirma pesquisadores

A pecuária brasileira vive uma transformação silenciosa, mas profunda. A adoção da avaliação genômica — tecnologia que permite identificar o potencial genético dos animais por meio do DNA — está redefinindo os padrões de produtividade, eficiência e competitividade no campo. O avanço, que antes parecia restrito a grandes centros de pesquisa, hoje já impacta diretamente o dia a dia dos produtores.

Segundo o pesquisador da Embrapa, Marcos Vinicius da Silva, doutor em Genética e Melhoramento, a genômica representa uma mudança estrutural no modelo tradicional de seleção animal. “A avaliação genômica vem transformando o melhoramento genético nos rebanhos em todo o Brasil. Com a análise do DNA, podemos prever características fundamentais para a seleção dos animais jovens e melhoradores”, afirma o especialista.

Do passado lento ao presente imediato

Historicamente, o melhoramento genético dependia da chamada prova de progênie — um processo longo e oneroso que podia levar até nove anos para apresentar resultados confiáveis. Era necessário acompanhar o desempenho das filhas de um reprodutor ao longo de toda a fase produtiva.

Para avaliar o potencial de um touro, era preciso inseminar vacas, esperar o nascimento das filhas, seu crescimento e produção de leite. Um processo demorado, caro e arriscado”, explica Marcos Vinicius .

Com a genômica, esse cenário mudou radicalmente. Hoje, é possível identificar o potencial genético ainda na fase embrionária, eliminando anos de انتظار e incerteza.

Redução de custos e democratização da tecnologia

Além da agilidade, a tecnologia trouxe um impacto direto no bolso do produtor. Enquanto testes tradicionais de progênie podiam custar até US$ 50 mil por animal, a genotipagem moderna pode ser realizada por cerca de R$ 160 em algumas raças, como o Gir leiteiro.

Isso muda completamente a lógica do melhoramento, democratiza a tecnologia e permite sua aplicação em larga escala”, destaca o pesquisador .

Na prática, o pecuarista ganha poder de decisão. Ao identificar animais com baixo potencial genético logo no início, é possível descartá-los antes de investir em alimentação, manejo e sanidade. Considerando que uma vaca pode custar cerca de R$ 10 mil até a primeira lactação, a economia se torna significativa.

Mais precisão e avanço genético acelerado

Outro ponto crucial é o aumento da precisão nas decisões. A seleção tradicional se baseava em pedigree e características visíveis (fenótipo). Com a genômica, entram em cena os marcadores moleculares, elevando o nível de confiabilidade.

Com a inclusão das informações de DNA, passamos a ter uma avaliação mais completa, confiável e tecnológica”, afirma Marcos Vinicius .

Esse ganho de precisão reduz o intervalo entre gerações e acelera o progresso genético — um fator decisivo para aumentar a produtividade.

Resultados concretos no campo

Os números comprovam o impacto da tecnologia. No Gir leiteiro, por exemplo, o potencial genético médio de produção de leite saltou de 230 kg em 2005 para 641 kg em 2025 — um crescimento expressivo, especialmente após a adoção da genômica.

Nos últimos 25 anos, a produção média da raça mais que dobrou, passando de cerca de 2.700 kg para mais de 5.000 kg por lactação. Cerca de 31% desse avanço está diretamente ligado ao melhoramento genético, segundo dados do setor .

Brasil ganha protagonismo internacional com genômica bovina

O avanço da genômica também posiciona o Brasil como referência global. O número de animais genotipados cresceu de pouco mais de 3 mil para mais de 60 mil apenas no Gir leiteiro, com avaliações sendo realizadas em diversos países da América Latina.

Um dos marcos recentes foi a exportação de 3 mil embriões bovinos para a Índia, resultado direto da seleção genômica.

Há 100 anos, o Brasil importava animais da Índia. Hoje, exportamos genética de alto valor e tecnologia desenvolvida aqui”, destaca o pesquisador .

Tecnologia não substitui a base do sistema

Apesar dos avanços, especialistas alertam que a genômica não elimina a importância dos dados tradicionais. A coleta de informações fenotípicas continua sendo essencial para alimentar os sistemas e garantir evolução contínua.

Além disso, a inseminação artificial segue como pilar do melhoramento genético moderno, permitindo o acesso democrático a reprodutores de alto valor.

Nesse contexto, entidades como a ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial) desempenham papel estratégico ao promover o uso de genética superior e disseminar conhecimento técnico no setor.

Um novo ciclo para a pecuária brasileira

A integração entre ciência, tecnologia e produção coloca a pecuária nacional em um novo patamar. Mais eficiente, mais produtiva e cada vez mais baseada em dados, a atividade se consolida como uma das mais avançadas do mundo.

Para o produtor, a mensagem é clara: quem investir em genética e tecnologia terá vantagem competitiva nos próximos anos.

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Por: Redação

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