A contagem regressiva para a instabilidade climática no campo começou. Com a previsão de retorno e consolidação do fenômeno Super El Niño entre o final de abril e o decorrer de maio de 2026, o setor produtivo brasileiro já recalcula os riscos para o ciclo de soja 2026/27.
O cenário aponta para uma atividade persistente, que deve atravessar as quatro estações, influenciando desde o plantio até o desenvolvimento das lavouras de verão.
O fenômeno Super El Niño e a ameaça ao calendário agrícolaEmbora o evento meteorológico inicie com uma intensidade moderada, os modelos de projeção indicam um aquecimento acelerado das águas do Pacífico, o que pode configurar rapidamente o status de Super El Niño. Para o produtor rural, essa configuração é sinônimo de imprevisibilidade: a tendência é de ondas de calor severas e um inverno com temperaturas muito acima das médias históricas em grande parte do território nacional.
O principal ponto de atenção reside na transição para a primavera. A partir de setembro, o Super El Niño deve atuar como um bloqueio para a regularização das chuvas, o que pode forçar o setor a adiar a entrada das semeadoras no campo, alterando o planejamento logístico e financeiro das propriedades.
Calor extremo e o desafio hídrico no Centro-OesteNo coração produtivo do país, a situação exige cautela estratégica. No Centro-Oeste, a expectativa é de que a umidade só se estabeleça de forma confiável entre a segunda metade de outubro e os primeiros dias de novembro. Este padrão de atraso, que remete aos desafios enfrentados pelos agricultores em 2023, será acompanhado por um estresse térmico contínuo, com termômetros elevados do outono ao verão.
Apesar do alerta de longo prazo, o monitoramento imediato indica janelas de umidade:
Em Mato Grosso, o volume acumulado de chuvas pode variar entre 40 mm e 50 mm em um curto intervalo de cinco dias. No município de Sorriso (MT), especificamente, as projeções para o próximo fim de semana são otimistas, com volumes entre 30 mm e 40 mm, podendo saltar para 70 mm na virada do mês.
Este aporte de umidade é fundamental para o milho segunda safra, em especial para as áreas plantadas fora da janela ideal. Contudo, o especialista alerta: a trégua será curta. Sob o domínio do Super El Niño, o tempo seco deve retomar o protagonismo na região já na segunda semana de maio. Enquanto isso, no Matopiba (MA, TO, PI), os acumulados de abril prometem ser robustos, com previsões que superam os 100 mm.





