Autonomia monetária
No manifesto, os presidentes de bancos centrais destacam que a independência institucional é “fundamental para assegurar a estabilidade de preços e o bem-estar dos cidadãos”, sempre com respeito ao Estado de Direito, à transparência e à responsabilidade democrática. “Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu presidente, Jerome H. Powell”, afirmam os signatários. O documento também sustenta que Powell tem atuado “com integridade, compromisso com o interesse público e foco em seu mandato”. Ao aderir ao manifesto, Galípolo posiciona o Brasil ao lado de instituições como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco de Compensações Internacionais (BIS), órgão com sede na Suíça que funciona como o Banco Central dos bancos centrais. Também assinaram o documento, autoridades monetárias do Canadá, Suécia, Dinamarca, Suíça, Austrália e Coreia do Sul.Pressão política
O apoio internacional ocorre após Powell revelar que o Departamento de Justiça dos EUA notificou o FED com intimações de um grande júri, no âmbito de uma investigação relacionada à reforma de prédios históricos da instituição, em Washington. O presidente do FED afirmou que a apuração tem sido usada como instrumento de pressão política. “Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilização em nossa democracia. Ninguém está acima da lei”, disse Powell. “Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”, acrescentou. O mandato de Powell termina em maio deste ano. Trump tem criticado publicamente o FED por manter os juros em patamar elevado e defende cortes mais rápidos, apesar de a inflação norte-americana ter encerrado 2025 acima da meta oficial. A divulgação do manifesto também ocorre em um momento sensível para o Banco Central brasileiro. Nos últimos dias, a liquidação do Banco Master e questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU) reacenderam debates LINK 1 sobre a autonomia da autoridade monetária no país. Na segunda-feira (12), Galípolo se reuniu com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, para tratar do tema. Integrantes do mercado avaliam que a defesa pública da independência dos bancos centrais busca reforçar a confiança na condução técnica da política monetária, em um cenário global de maior volatilidade e incerteza. Relacionadas
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