A França, o Reino Unido e uma dúzia de outros países expressaram, nesta sexta-feira (17), disposição para lançar uma missão multinacional para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, cuja reabertura "total" e "incondicional" exigiram, apesar do anúncio iraniano.
Por iniciativa de Londres e Paris, cerca de 50 países discutiam, por videoconferência, na capital francesa, como garantir a segurança nessa passagem crucial para o comércio global de petróleo e gás natural, quando o Irã anunciou a reabertura durante o período de cessar-fogo no Oriente Médio.
"Todos nós exigimos a reabertura total, imediata e incondicional do estreito, por todas as partes", disse o presidente francês, Emmanuel Macron, em uma coletiva de imprensa no Palácio do Eliseu, em Paris, ao lado dos chefes de governo do Reino Unido, Keir Starmer; da Alemanha, Friedrich Merz; e da Itália, Giorgia Meloni.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saudou o anúncio iraniano, mas esclareceu que Washington manteria o bloqueio imposto aos portos iranianos e rejeitou a oferta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz.
"Agora que a situação no Estreito de Ormuz foi resolvida, recebi um telefonema da Otan perguntando se precisávamos de assistência. Eu disse a eles para ficarem de fora, a menos que queiram apenas carregar seus tanques de petróleo", declarou Trump em sua plataforma Truth Social.
Embora a Otan não tenha sido convidada para a cúpula organizada por Macron e Starmer, muitos dos países membros da aliança participaram. Os Estados Unidos, Israel e Irã não foram convidados por serem partes envolvidas no conflito.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, imposto pelo Irã após a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, preocupou os europeus, que temiam que o aumento dos preços da energia levasse a uma maior inflação, escassez de alimentos e cancelamentos de voos.
A reabertura do estreito nesta sexta-feira permitiu a queda dos preços do petróleo, mas Teerã condicionou a medida à manutenção do cessar-fogo.
No anúncio em que o Irã declarou o estreito navegável novamente, não ficou imediatamente claro se a referência era à trégua de 10 dias entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, que entrou em vigor na noite de quinta-feira no Líbano, ou ao cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, que teoricamente termina em 22 de abril.
*Com informações da AFP
(Sob supervisão de Alex Araújo)





