• Terça-feira, 5 de maio de 2026

Folha de árvore comum em SC pode ajudar a controlar glicose e colesterol

Pesquisa mostra que infusões das folhas da guabiroba têm potencial para controlar a glicemia e níveis de colesterol

As folhas da guabiroba, árvore nativa da Mata Atlântica e comum em Santa Catarina, apresentam potencial para controlar a glicemia e níveis de colesterol, aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e publicado na revista Foods em julho de 2025.

A pesquisa utilizou uma técnica chamada de digestão simulada. Em laboratório foram reproduzidas as condições do estômago e do intestino humano para verificar se os compostos benéficos da planta permanecem estáveis no corpo após a digestão:

— O método da digestão simulada reproduz, em laboratório, o que acontece no sistema digestivo humano, incluindo uma fase semelhante ao estômago, com ambiente mais ácido e ação de enzimas, e outra semelhante ao intestino. Isso ajuda a entender se essas substâncias permanecem estáveis e disponíveis após a digestão — explica a professora Aniela Pinto Kempka, que lidera a pesquisa.

Essa etapa da pesquisa permitiu compreender como os compostos fenólicos sobrevivem ao processo digestivo. Conforme esclarece Aniela, os compostos fenólicos são substâncias naturais produzidas pelas plantas como forma de proteção contra fatores ambientais, a exemplo da radiação solar. Essas substâncias também podem trazer benefícios para os seres humanos, ajudando principalmente a combater o estresse oxidativo, que está relacionado ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de várias doenças, além de contribuir para a redução de processos inflamatórios.

Para testar os efeito das folhas em organismos vivos, as pesquisadoras desenvolveram biscoitos enriquecidos com o extrato das folhas da guabiroba. Os petiscos foram oferecidos a cães da raça Beagle durante 32 dias. Ao final do período, os animais apresentaram uma redução significativa na frutosamina, um marcador que reflete a média do açúcar no sangue, além de uma diminuição no colesterol total.

— No caso do metabolismo da glicose, não houve alteração direta da glicemia em jejum, mas foi observada uma modulação ao longo do tempo em um marcador chamado frutosamina, que reflete o controle glicêmico em períodos mais prolongados. Em um estudo complementar com o mesmo modelo alimentar, também foi observada uma redução do colesterol total, além de alterações positivas em parâmetros como albumina e imunoglobulina A, que está relacionada à imunidade. Esses achados sugerem que os extratos das folhas da guabirobeira têm potencial como ingrediente funcional, mas ainda não configuram um tratamento direto — , esclarece a pesquisadora.

Os pesquisadores pretendem adaptar a fórmula dos biscoitos ao paladar humano e aprofundar os testes para garantir a segurança e eficácia em pacientes com doenças metabólicas.

— A pesquisa aponta para o potencial da guabiroba como ingrediente funcional, especialmente quando incorporada em alimentos, reforçando o valor da biodiversidade brasileira no desenvolvimento de novas estratégias em alimentação e saúde — considera Aniela.

*Sob supervisão de Nicoly Souza

Por: NSC Total

Artigos Relacionados: