• Domingo, 19 de abril de 2026

Febre das canetas emagrecedoras e até crimes colocam medicamentos no alvo da Anvisa

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai discutir em reunião do colegiado no próximo dia 29 uma proposta de instrução normativa para nortear a manipulação das canetas emagrecedoras em todo o Brasil

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se prepara para deliberar, no próximo dia 29, sobre uma nova instrução normativa que estabelece requisitos técnicos rigorosos para a manipulação das chamadas “canetas emagrecedoras”

A medida visa regulamentar o setor que engloba esses medicamentos, cujos princípios ativos incluem substâncias como semaglutida, tirzepatida e liraglutida. Esta nova norma é peça-chave do plano de ação anunciado pela autarquia no início deste mês, desenhado para fortalecer as estratégias de fiscalização e o controle sanitário sobre esses compostos, que têm dominado o debate sobre saúde e estética no país.

A regulamentação proposta pela agência deve detalhar procedimentos específicos para os Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), abrangendo desde a qualificação de fornecedores e processos de importação até ensaios de controle de qualidade, estabilidade, armazenamento e transporte. 

A iniciativa surge em um momento crítico, onde a popularidade desses fármacos impulsionou um mercado paralelo de versões manipuladas sem autorização. Atualmente, a venda legal desses medicamentos é restrita a farmácias e condicionada à retenção de receita médica, mas a proliferação de canais clandestinos tem colocado a saúde da população em risco.

Em Santa Catarina, apreensões de produtos vindos do Paraguai ocorrem semana após semana e expõem o lado obscuro que envolve as canetas emagrecedoras.

Na última semana, por exemplo, a Anvisa determinou a apreensão e proibiu a comercialização dos produtos Gluconex e Tirzedral. Amplamente ofertados em plataformas digitais como soluções injetáveis para perda de peso, esses itens não possuem registro ou cadastro sanitário, sendo classificados como irregulares. 

Em nota oficial, o órgão alertou que a origem desconhecida desses produtos impossibilita qualquer garantia de qualidade ou segurança, reforçando que seu uso deve ser totalmente descartado pelos consumidores.

O cenário de irregularidades também mobiliza as forças de segurança nas fronteiras brasileiras. Em uma operação realizada na última segunda-feira, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus em Duque de Caxias vindo do Paraguai. A abordagem resultou na prisão em flagrante de um casal que transportava mil frascos de canetas emagrecedoras contendo tirzepatida, além de uma carga de anabolizantes. 

O caso ilustra o desafio logístico de conter o contrabando de insumos que, sem o devido controle térmico e técnico previsto na nova instrução normativa da Anvisa, representam uma ameaça direta à integridade física dos usuários finais.

Por: NSC Total

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