As propriedades leiteiras de Minas Gerais que investem em gestão de qualidade estão produzindo um alimento significativamente mais sustentável do que a média mundial. É o que aponta um relatório inédito elaborado pelo Sebrae Minas, com base em dados de 80 fazendas assistidas pelo programa Educampo.
O estudo revelou que a pegada de carbono média dessas propriedades é de 1,15 kg de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por quilo de leite corrigido para gordura e proteína (FPCM) — métrica internacional padrão do setor. O índice representa menos da metade da média global estimada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que varia entre 2,4 kg e 2,5 kg de CO₂e.
Pegada de carbono (kg de CO₂e por kg de leite):
*Quanto menor o indicador, maior é a eficiência ambiental do sistema produtivo.
O levantamento analisou propriedades responsáveis pela produção anual de 95,6 milhões de quilos de leite, somando cerca de 18,8 mil animais e uma produtividade média diária de 23,06 kg de leite por vaca.
Os dados comprovam que as fazendas mais sustentáveis são, também, as mais eficientes economicamente. O segredo está em vacas mais produtivas, maior proporção de animais em lactação, descarte ágil de animais improdutivos e uso estratégico da alimentação concentrada.
“Basicamente nós analisamos 80 fazendas leiteiras do estado de Minas Gerais que recebem a consultoria do Educampo, que é uma consultoria de gestão aqui do Sebrae Minas para fazendas de leite e café. Fizemos um acompanhamento dessas propriedades para o entendimento da pegada de carbono, algo fundamental quando falamos de sustentabilidade”, explicou Breno Mendonça, analista de agronegócios do Sebrae Minas, à Itatiaia.
Breno destacou o impacto direto da eficiência técnica no meio ambiente. “Os resultados foram bem interessantes. Quanto menor esse indicador, melhor. Isso mostra que fazendas com acompanhamento de gestão e com a pauta de sustentabilidade na agenda conseguem resultados superiores. A partir do momento em que temos uma produtividade melhor dessas vacas leiteiras, conseguimos ter resultados de sustentabilidade melhores também. Investir em um manejo nutricional adequado e trabalhar a estrutura de rebanho de forma correta é fundamental”.
O projeto foi realizado de forma voluntária e contou com o suporte tecnológico da startup ESGpec. Foram aplicadas ferramentas como o PEC Calc (cálculo de pegada de carbono), além dos sistemas BEA Score e ESG Farm Score, focados em bem-estar animal e práticas regenerativas. Para viabilizar a coleta confiável de dados, 25 consultores do Educampo foram previamente capacitados.
Embora a média tenha sido altamente positiva (1,15 kg), a análise identificou fazendas operando em extremos: de 0,88 kg até 2,51 kg de CO₂e por quilo de leite. Essa oscilação reforça a importância de individualizar os dados.
“Tivemos a preocupação de fazer todo o reporte e a entrega dos resultados individuais, fazenda por fazenda, além das médias globais do grupo. Isso é importante para o produtor ter poder comparativo”, pontuou Breno Mendonça. “Se a minha propriedade teve um resultado pior que o grupo, o que os outros estão fazendo em termos de produtividade, manejo nutricional e gestão para colher frutos melhores? O oposto também vale: queremos disseminar as práticas das fazendas que performaram melhor”, concluiu o analista.
Para o Sebrae Minas, o cruzamento de dados zootécnicos com indicadores ambientais consolida uma nova mentalidade de mercado, aproximando o produtor rural das exigências da indústria e dos consumidores modernos.
“A sustentabilidade se desenvolve progressivamente a partir da organização e da disciplina de indicadores. A proposta é construir uma visão mais ampla da atividade leiteira, considerando não apenas a eficiência produtiva, mas também fatores ligados ao cuidado com os animais, à gestão da propriedade e ao impacto social e ambiental da produção”, afirmou Priscilla Lins, gerente de Agronegócios e Artesanato do Sebrae Minas.





