• Segunda-feira, 25 de maio de 2026

Fazendas de leite em Minas emitem menos da metade do carbono da média global

Estudo inédito do Sebrae Minas com 80 propriedades do programa Educampo revela eficiência na gestão e manejo nutricional como pilares para pecuária de baixo carbono

As propriedades leiteiras de Minas Gerais que investem em gestão de qualidade estão produzindo um alimento significativamente mais sustentável do que a média mundial. É o que aponta um relatório inédito elaborado pelo Sebrae Minas, com base em dados de 80 fazendas assistidas pelo programa Educampo.

O estudo revelou que a pegada de carbono média dessas propriedades é de 1,15 kg de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por quilo de leite corrigido para gordura e proteína (FPCM) — métrica internacional padrão do setor. O índice representa menos da metade da média global estimada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que varia entre 2,4 kg e 2,5 kg de CO₂e.

Pegada de carbono (kg de CO₂e por kg de leite):

*Quanto menor o indicador, maior é a eficiência ambiental do sistema produtivo.

O levantamento analisou propriedades responsáveis pela produção anual de 95,6 milhões de quilos de leite, somando cerca de 18,8 mil animais e uma produtividade média diária de 23,06 kg de leite por vaca.

Os dados comprovam que as fazendas mais sustentáveis são, também, as mais eficientes economicamente. O segredo está em vacas mais produtivas, maior proporção de animais em lactação, descarte ágil de animais improdutivos e uso estratégico da alimentação concentrada.

“Basicamente nós analisamos 80 fazendas leiteiras do estado de Minas Gerais que recebem a consultoria do Educampo, que é uma consultoria de gestão aqui do Sebrae Minas para fazendas de leite e café. Fizemos um acompanhamento dessas propriedades para o entendimento da pegada de carbono, algo fundamental quando falamos de sustentabilidade”, explicou Breno Mendonça, analista de agronegócios do Sebrae Minas, à Itatiaia.

Breno destacou o impacto direto da eficiência técnica no meio ambiente. “Os resultados foram bem interessantes. Quanto menor esse indicador, melhor. Isso mostra que fazendas com acompanhamento de gestão e com a pauta de sustentabilidade na agenda conseguem resultados superiores. A partir do momento em que temos uma produtividade melhor dessas vacas leiteiras, conseguimos ter resultados de sustentabilidade melhores também. Investir em um manejo nutricional adequado e trabalhar a estrutura de rebanho de forma correta é fundamental”.

O projeto foi realizado de forma voluntária e contou com o suporte tecnológico da startup ESGpec. Foram aplicadas ferramentas como o PEC Calc (cálculo de pegada de carbono), além dos sistemas BEA Score e ESG Farm Score, focados em bem-estar animal e práticas regenerativas. Para viabilizar a coleta confiável de dados, 25 consultores do Educampo foram previamente capacitados.

Embora a média tenha sido altamente positiva (1,15 kg), a análise identificou fazendas operando em extremos: de 0,88 kg até 2,51 kg de CO₂e por quilo de leite. Essa oscilação reforça a importância de individualizar os dados.

“Tivemos a preocupação de fazer todo o reporte e a entrega dos resultados individuais, fazenda por fazenda, além das médias globais do grupo. Isso é importante para o produtor ter poder comparativo”, pontuou Breno Mendonça. “Se a minha propriedade teve um resultado pior que o grupo, o que os outros estão fazendo em termos de produtividade, manejo nutricional e gestão para colher frutos melhores? O oposto também vale: queremos disseminar as práticas das fazendas que performaram melhor”, concluiu o analista.

Para o Sebrae Minas, o cruzamento de dados zootécnicos com indicadores ambientais consolida uma nova mentalidade de mercado, aproximando o produtor rural das exigências da indústria e dos consumidores modernos.

“A sustentabilidade se desenvolve progressivamente a partir da organização e da disciplina de indicadores. A proposta é construir uma visão mais ampla da atividade leiteira, considerando não apenas a eficiência produtiva, mas também fatores ligados ao cuidado com os animais, à gestão da propriedade e ao impacto social e ambiental da produção”, afirmou Priscilla Lins, gerente de Agronegócios e Artesanato do Sebrae Minas.

Por: ITATIAIA

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