• Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Exportações de carne bovina batem recorde histórico e revelam nova geopolítica da proteína

Com China e Estados Unidos concentrando quase 60% da receita, desempenho de janeiro sinaliza mudança estrutural na demanda global — e pode inaugurar uma nova fase de valorização para a pecuária brasileira.

Com China e Estados Unidos concentrando quase 60% da receita, desempenho de janeiro sinaliza mudança estrutural na demanda global — e pode inaugurar uma nova fase de valorização para a pecuária brasileira. O ano de 2026 começou com um recado claro ao mercado global de proteínas: o Brasil segue ampliando sua relevância estratégica no abastecimento mundial de carne bovina. Em janeiro, o país registrou o melhor desempenho da história nas exportações de carne bovina para o mês, com 264 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 1,404 bilhão, segundo dados do MDIC compilados pela Abiec. Na comparação com janeiro de 2025 — quando foram exportadas 209,4 mil toneladas e faturados US$ 1,002 bilhão — houve crescimento de 26,1% em volume e expressivos 40,2% em valor, indicando não apenas maior demanda, mas também um ambiente de preços mais favorável.
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  • Mais do que um recorde pontual, os números reforçam uma leitura cada vez mais presente entre analistas: o Brasil deixou de ser apenas um fornecedor competitivo e passou a ocupar posição central na segurança alimentar global. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});O dado que redefine o mercado: concentração nas duas maiores economias do mundo Um dos pontos mais relevantes do levantamento está na forte concentração das compras. A China liderou com folga, importando US$ 657,2 milhões e 123,2 mil toneladas, o equivalente a 46,8% do valor total exportado pelo Brasil no mês. Já os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com US$ 193,7 milhões e 29,9 mil toneladas, crescimento de cerca de 63% no volume frente ao mesmo período do ano anterior. Juntos, os dois países responderam por cerca de 60% da receita das exportações de carne bovina, um indicador poderoso sobre para onde caminha o fluxo global de proteínas. Insight de mercado Essa concentração não deve ser interpretada como risco imediato — mas como um sinal de que a carne bovina brasileira se tornou um ativo estratégico para grandes economias, especialmente em um contexto de menor produção em diversos países. Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, mesmo diante de um cenário geopolítico desafiador e da queda na produção em várias regiões do mundo, o Brasil demonstrou capacidade de manter volumes relevantes, chegando hoje a 177 países. Carne bovina in natura domina — e mostra onde está o dinheiro A estrutura das exportações de carne bovina também revela muito sobre a lógica do mercado.
  • Carne bovina in natura: US$ 1,292 bilhão (91,97% da receita) e 231,8 mil toneladas.
  • Industrializados: US$ 58,5 milhões e 7,9 mil toneladas.
  • Miúdos: US$ 37,3 milhões e 16,9 mil toneladas.
  • Na prática, isso confirma que o mundo continua buscando proteína básica em grande escala, e o Brasil permanece altamente competitivo nesse segmento. Insight estratégico Enquanto produtos de maior valor agregado ainda avançam lentamente, o ganho de escala na carne in natura segue sendo o principal motor de receita do setor exportador — algo que pode mudar ao longo da década com maior rastreabilidade e protocolos de baixo carbono. Diversificação silenciosa fortalece o ciclo Embora China e EUA concentrem a maior fatia, outros mercados ajudam a reduzir a dependência nas exportações de carne bovina. Entre os principais destinos aparecem:
  • Emirados Árabes Unidos — US$ 38,9 milhões
  • Egito — US$ 35,7 milhões
  • Rússia — US$ 33 milhões
  • Hong Kong — US$ 32,3 milhões
  • Arábia Saudita — US$ 30,6 milhões
  • Israel — US$ 25,1 milhões
  • Além disso, países como Filipinas (+159%), Vietnã (+41%) e Peru (+41%) ampliaram fortemente suas compras. Leitura de analista Esse movimento indica um fenômeno relevante: o Brasil não cresce apenas onde já é forte — ele está expandindo fronteiras de consumo. Essa capilaridade reduz volatilidade e cria uma espécie de “colchão de demanda”, algo fundamental para sustentar preços do boi no médio prazo. Exportações de carne bovina: O que explica o super janeiro? Três vetores ajudam a entender o momento: 1. Oferta global mais restrita
    Problemas produtivos e custos elevados em outros países abriram espaço para a carne brasileira. 2. Câmbio ainda favorável
    Mesmo com oscilações, o real mantém competitividade internacional. 3. Escala produtiva difícil de replicar
    Poucos países conseguem aumentar rapidamente a produção bovina. Projeções: estamos diante de um novo superciclo? Os sinais iniciais de 2026 permitem algumas leituras importantes. Cenário base (mais provável)
  • Exportações seguem fortes
  • Preços internacionais sustentados
  • Boi gordo com viés estrutural de alta
  • Cenário otimista Se a Ásia continuar expandindo o consumo e os EUA mantiverem importações elevadas, o Brasil pode caminhar para novos recordes anuais, consolidando-se como “porto seguro” da proteína global. Principal risco A dependência de grandes compradores exige atenção diplomática e sanitária. Qualquer ruído nesses mercados tem potencial de gerar volatilidade imediata. O recado para o pecuarista brasileiro O desempenho de janeiro não é apenas uma estatística — é um sinal econômico. Para dentro da porteira, ele sugere:
  • Demanda externa consistente
  • Maior previsibilidade de escoamento
  • Incentivo à intensificação produtiva
  • Valorização de genética e eficiência
  • Para investidores, reforça a tese de que a pecuária brasileira vive uma transformação silenciosa — deixando de ser cíclica para se tornar cada vez mais estrutural. Conclusão: o Brasil virou peça-chave no tabuleiro global O recorde histórico não deve ser visto como um pico isolado, mas como parte de uma reorganização do comércio mundial de alimentos.
    Por: Redação

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