• Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Escassez de gado fará indústria da carne se mexer no Mercosul, avalia analista

Para analista de mercado internacional argentino, a escassez de gado está forçando a indústria a transformar seu modelo de negócios A evolução dos preços

Para analista de mercado internacional argentino, a escassez de gado está forçando a indústria a transformar seu modelo de negócios A evolução dos preços do gado no Mercosul começa a refletir uma mudança estrutural no mercado de carnes. Segundo o argentino Víctor Tonelli, analista de mercado internacional, o cenário para os próximos anos será marcado por menor disponibilidade de matéria-prima, preços firmes e crescente pressão sobre a indústria de processamento de carne para redefinir sua estratégia comercial. “ A matéria-prima será escassa”, alertou Tonelli, projetando uma redução na oferta regional de carne bovina. Ele explicou que a Argentina enfrentará uma queda de quase 200 mil toneladas na produção em 2026 em comparação com a média dos últimos três anos, com recuperação prevista apenas para 2027, embora sem atingir os níveis históricos recentes.
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  • O Brasil, maior produtor e exportador mundial, também passa por um processo de ajuste. O analista observou que o país vizinho já prevê uma redução de 3% a 4% na oferta de carne bovina, em um contexto de manutenção do plantel reprodutor e necessidade de reconstruir a produção de bezerros. “Isso eliminará a vantagem que o Brasil teve durante anos, quando manteve os preços do gado entre um e um dólar e vinte abaixo da média regional”, explicou. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Essa mudança, afirmou Tonelli, terá um efeito direto no restante do Mercosul, fortalecendo os preços do gado em países como Argentina, Uruguai e Paraguai. “ O Brasil continua sendo o número um, mas não conseguirá sustentar esse diferencial de preços, e isso impulsiona toda a região para cima”, declarou.
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  • Com uma oferta mais restrita e uma forte demanda internacional, o analista considerou que o mercado pecuário está entrando em uma fase de maior competição por matéria-prima. “Os produtores exigirão preços que o mercado aceite, porque a oferta é insuficiente para atender à demanda”, resumiu. Nesse contexto, Tonelli foi particularmente crítico da abordagem tradicional da indústria de processamento de carne. “ A indústria reclama que os números não fecham, mas o problema não é apenas o preço do gado”, argumentou. Para o analista, o verdadeiro desafio reside em um modelo de negócios que continua priorizando a venda de carne como commodity, mesmo quando se trata de produtos de alta qualidade. “ Não dá para continuar vendendo carne de qualidade como se fosse uma commodity”, enfatizou, apontando que a eficiência da planta, embora ainda importante, já não é suficiente para sustentar a lucratividade. “A mentalidade precisa mudar: precisamos focar em maior valor agregado por corte, buscar nichos de mercado e melhorar nosso posicionamento comercial”, ressaltou. Segundo Tonelli, a escassez de matéria-prima forçará as plantas a competirem não apenas em volume, mas também em qualidade e diferenciação. “ O valor não estará apenas em produzir mais barato, mas em vender melhor”, resumiu. Dois anos cruciais para a indústria frigorífica O alerta do analista é claro: se a indústria não se adaptar a esse novo cenário, os próximos dois anos poderão ser desafiadores. “ Se não mudarem sua estratégia, terão problemas, porque não haverá excedente de carne”, afirmou. Para Tonelli, o contexto internacional, longe de ser uma ameaça, representa uma oportunidade para reposicionar a indústria regional em segmentos de maior valor agregado. “O mercado está disposto a pagar mais, mas exige produtos melhor posicionados e uma estratégia comercial diferente”, explicou. Nesse sentido, ele considerou o desafio duplo: por um lado, apoiar os produtores em um cenário de preços firmes do gado; por outro, capturar maior valor por tonelada exportada. “A indústria precisa encontrar uma maneira de pagar o que os produtores pedem e melhorar sua rentabilidade com base no mercado, e não apenas na própria planta”, concluiu. Esta reportagem foi originalmente publicada em espanhol pela Valor Agro em 27.jan.2026. Foi traduzida e republicada pelo CompreRural
    Por: Redação

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