• Quarta-feira, 1 de abril de 2026

Em despedida recorde, Lula passará o bastão para 20 novos ministros

Presidente reúne equipe nesta 3ª feira e inicia a maior reforma de sua gestão; prazo para desincompatibilização termina no sábado e ainda há pastas sem sucessor definido. Leia mais no Poder360.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne seus ministros nesta 3ª feira (31.mar.2026) para sua última reunião ministerial com o atual desenho da Esplanada. Participam também alguns dos substitutos que devem seguir até o final do ano.

Ao todo, 20 integrantes deixarão os cargos para atividades relacionados ao pleito de outubro. É um recorde que supera o do próprio Lula: no 1º mandato, em 2006, 14 ministros saíram para concorrer. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) teve 8 saídas. 

O prazo de desincompatibilização termina no sábado (4.abr). A estratégia do Planalto é substituir os ministros de saída por seus secretários-executivos: perfis mais técnicos e com menor custo político. O modelo já foi aplicado na Fazenda, onde Dario Durigan assumiu o lugar de Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de SP.

A reunião terá caráter de despedida e também de alinhamento político. Nela, Lula deve deixar claro o que espera dos ministros nos próximos meses e orientá-los a adotar, no debate público, pautas que considera prioritárias, como o fim da escala 6 x 1.

Ministros do núcleo político do governo, como Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social), devem ter espaço para falar.

A maior parte dos ministros que deixam o governo mira o Senado. Das 20 saídas previstas, mais da metade tem a Casa Alta como destino. A prioridade se explica pelas atribuições exclusivas do Senado. Uma delas é a competência do presidente do Senado para autorizar a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

Das 20 saídas previstas, parte já tem substitutos encaminhados. A maioria deles são os números 2 das pastas:

Na Comunicação Social, Sidônio Palmeira está incluído na conta dos 20, mas segue um calendário diferente. Ele só deve deixar o ministério em junho para coordenar a campanha de reeleição de Lula. Até lá, nenhum substituto está cotado.

Já 13 ministros devem permanecer até o fim do governo, entre eles Mauro Vieira (Relações Exteriores), José Múcio (Defesa), Alexandre Padilha (Saúde) e Wellington César Lima e Silva (Justiça).

Luiz Marinho (PT) chegou a ser cotado para deixar o ministério, mas deve permanecer no cargo. O motivo é a reforma da escala 6×1, uma das principais bandeiras de Lula para o período eleitoral, que ainda está em tramitação no Congresso.

Nem todas as cadeiras têm destino certo. Há pelo menos 14 ministérios sem substituto encaminhado Igualdade Racial (Anielle Franco), Esportes (André Fufuca) e Integração Regional (Waldez Góes).

A maior incógnita, porém, é a sucessão na SRI (Secretaria de Relações Institucionais). É uma das pastas mais estratégicas. A ideia inicial era nomear Olavo Noleto, atual presidente do Conselhão e um dos secretários mais próximos de Gleisi Hoffmann (PT). Lula reavaliou a escolha. O presidente foi aconselhado a escolher um congressistas com trânsito na Câmara para conduzir as negociações durante o período eleitoral.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), foi sondado para o cargo, mas recusou.  Outro nome no radar para a SRI é o de Wellington Dias (Desenvolvimento Social), que já decidiu permanecer no governo, atuando na campanha de Lula. A decisão, contudo, ainda cabe ao presidente. 

Ainda há incerteza sobre Minas e Energia. Alexandre Silveira (PSD) sinalizou interesse em disputar o Senado por Minas Gerais, mas condicionou qualquer decisão ao aval de Lula. Caso saia, a tendência é que o secretário-executivo Gustavo Cerqueira Ataide assuma a pasta.

Por: Poder360

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