• Quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Eduardo diz que auxiliares de Moraes queriam “censura” de rede social

Deputado critica plano para bloquear plataforma Gettr, segundo publicações que mostrariam diálogos de assessores do ministro.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta 5ª feira (28.ago.2025) que mensagens de auxiliares do ministro Alexandre de Moraes, do STF, revelam uma tentativa de censura ao Gettr, plataforma de Jason Miller, ex-assessor de Trump, em outubro de 2022.

O objetivo, segundo o deputado, seria impactar as eleições brasileiras e reduzir a voz dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “É contra esse complexo industrial de censura que Trump está lutando”, escreveu o deputado no X.

A publicação de Eduardo Bolsonaro se baseia em textos da Revista Oeste que expõem diálogos de outubro de 2022 em que assessores próximos a Moraes estariam elaborando o bloqueio da plataforma Gettr.

Segundo a publicação, 2 dias após o primeiro turno das eleições brasileiras, em 3 de outubro de 2022, o juiz Airton Vieira –assessor judicial de Moraes no STF (Supremo Tribunal Federal)– solicitou o bloqueio do Gettr. O pedido teria sido feito a Eduardo Tagliaferro, então chefe da Unidade Especial de Combate à Desinformação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A demanda teria surgido depois de Vieira confundir uma postagem do jornalista Allan dos Santos no X com conteúdo publicado no Gettr. Tagliaferro teria encaminhado postagens reais do Gettr para o assessor de Moraes, tentando corrigi-lo. Vieira então teria dito: “Então, por favor, veja como bloquear o Gettr. Obrigado.”

A PGR (Procuradoria Geral da República) apresentou no sábado (22.ago.2025) uma denúncia contra Eduardo Tagliaferro por violação de sigilo funcional, obstrução de investigação criminal, coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Os crimes teriam sido praticados de maio de 2023 a julho de 2025, quando Tagliaferro revelou à imprensa diálogos sigilosos mantidos com servidores do STF e TSE. Leia a íntegra (PDF – 3,8 MB).

Com a denúncia, o Ministério das Relações Exteriores pediu ao governo italiano a extradição de Tagliaferro. Ele foi demitido do TSE em 2023 e atualmente mora na Itália. Ele nega as acusações.

Já a CSP (Comissão de Segurança Pública do Senado) aprovou 3ª feira (26.ago.2025) requerimento para ouvir Tagliaferro. O senador Magno Malta (PL-ES) também convidou 2 juízes do gabinete de Moraes: Marco Antônio Martins Vargas e Airton Vieira. A audiência deve ocorrer em 2 de setembro, às 11h.

Malta quer esclarecimentos sobre fatos descritos no relatório “Arquivos do 8 de Janeiro, do jornalista americano Michael Shellenberger, que revela “graves indícios” de atividades irregulares no TSE e STF.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) já havia defendido, em 12 de agosto, a instalação de CPI para investigar a “Vaza Toga”, alegando haver indícios de produção de provas dentro do STF para viabilizar acusações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023.

O “Vaza Toga” é o nome dado às revelações de conversas privadas entre integrantes do gabinete do ministro Alexandre de Moraes no STF (Supremo Tribunal Federal) e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O termo faz referência às “togas” usadas por magistrados e segue a nomenclatura do “Vaza Jato”, que expôs mensagens entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato.

As primeiras revelações começaram em agosto de 2024 com reportagens da Folha de S.Paulo, seguidas por investigações de jornalistas como Glenn Greenwald, Fábio Serapião e outros.

Posteriormente, a organização americana Civilization Works, liderada por Michael Shellenberger (autor dos Twitter Files Brasil), publicou novos documentos nos “Arquivos do 8 de Janeiro”.

Os vazamentos expõem diálogos entre assessores de Moraes –principalmente os de Eduardo Tagliaferro. As conversas revelam planos da equipe do ministro para coordenar investigações extraoficiais e “certidões” informais sobre detidos do 8 de janeiro.

O Poder360 entrou em contato com a defesa de Eduardo Tagliaferro e o gabinete do ministro Alexandre de Moraes para perguntar se gostariam de se manifestar, mas não obteve nenhuma resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital. 

Por: Poder360

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