Dólar recua e Bolsa sobe com prévia do PIB, Focus e dados da China
Na última sexta-feira (12/12), o dólar terminou a sessão em alta de 0,11%, cotado a R$ 5,41. Ibovespa subiu 0,99%, aos 160,7 mil pontos
O operava em baixa, nesta segunda-feira (15/12), em um dia no qual os investidores repercutem indicadores divulgados mais cedo, como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a “prévia” do Produto Interno Bruto (), e o Relatório Focus, que reúne as principais projeções do mercado financeiro sobre a economia brasileira.
No cenário internacional, o mercado acompanha declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos ) e também monitora dados sobre a produção industrial e as vendas do varejo na China.
Dólar
Às 10h05, a moeda norte-americana recuava 0,44% e era negociado a R$ 5,388.
Na última sexta-feira (12/12), .
Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,41% no mês e perdas de 12,45% no ano frente ao real.
Ibovespa
Às 10h10, o , principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (), avançava 0,81%, aos 162 mil pontos.
Na sexta-feira, o indicador fechou o pregão em alta de 0,99%, aos 160,7 mil pontos.
Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 1,07% em dezembro e de 33,66% em 2025.
Prévia do PIB registra queda
, na comparação com o mês anterior. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC).
Este é o segundo resultado negativo consecutivo. Em setembro, também houve retração de 0,2%. No trimestre, também houve queda de 0,2%.
Para chegar ao resultado, o Banco Central fez um ajuste sazonal (um cálculo que remove as flutuações sazonais de uma série temporal para comparar períodos diferentes). O indicador é considerado uma prévia do PIB do país.
O IBC-Br incorpora estimativas de crescimento para os setores agropecuário, industrial e de serviços. O cálculo é feito com ajuste sazonal, o que permite comparar períodos diferentes. Trata-se de uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país, a Selic.
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O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Uma alta significa que a economia está crescendo em ritmo bom, enquanto um recuo implica encolhimento da produção econômica da nação.
Por setores produtivos, a agropecuária registrou crescimento no mês, com avanço de 3,1%. A indústria caiu 0,7% e os serviços tiveram resultado negativo de 0,2%.
Em relação a outubro do ano passado, o IBC-Br teve alta de 0,4%. Em 12 meses, o indicador do BC apresentou aumento de 2,5%. No ano, a chamada prévia do PIB registrou expansão de 2,4%. Todas essas variações foram calculadas sem ajustes sazonais.
Análise
Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, “o resultado chama atenção diante do comportamento das estatísticas setoriais divulgadas pelo IBGE, que apontaram crescimento nos três principais setores”. “Ainda assim, o IBC-Br indicou recuo de 0,7% na indústria e de 0,2% em serviços”, observou.
“O desempenho do índice só não foi mais negativo devido ao avanço de 3,1% do setor agropecuário. De fato, ao excluir o agronegócio, o IBC-Br teria registrado queda de 0,3%”, destaca Valério.
Para o economista, “o IBC-Br sugere a continuidade da tendência de acomodação do crescimento, movimento que também é observado nos dados do IBGE”. “Isso ocorre apesar das altas registradas em outubro, que refletem os efeitos defasados da política monetária restritiva”, afirma.
“Assim, o cenário aponta para uma desaceleração já consolidada da atividade econômica, ainda que não intensa o suficiente para indicar uma recessão no horizonte. Essa deterioração, combinada à desinflação recente, reforça nossa expectativa de início dos cortes da Selic no primeiro trimestre, em especial na reunião de janeiro”, completa Valério.
Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o dado “deve intensificar as discussões sobre os próximos passos da política monetária, uma vez que vai de encontro justamente com um dos pilares do último comunicado do Copom, que trata do ritmo de crescimento ainda considerado positivo pela instituição”.
“Prospectivamente, afora espasmos de crescimento gerados por fatores sazonais, o quadro de outubro deve se repetir nos últimos dois meses de 2025, consolidando o quadro de acomodação da atividade econômica, com a indústria, especialmente em seu segmento de transformação, ainda caminhando de maneira lateralizada, e subgrupos do setor de serviços mais sensíveis aos ciclos econômicos dando continuidade à desaceleração em curso”, aponta.
Mercado diminui estimativa de inflação
. Em relação ao PIB, houve manutenção. É o que mostrou a nova edição do Relatório Focus, divulgada nesta segunda-feira.
De acordo com o relatório, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve terminar este ano em 4,36%, ante 4,40% da semana anterior. Em relação ao PIB de 2025, a projeção foi mantida em 2,25%.
Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
Ainda segundo o Focus, o PIB do Brasil para 2025 deve ter crescimento de 2,25%, a mesma projeção da semana passada.
Para 2026, a previsão de crescimento da economia foi mantida em 1,80%. Para 2027, a estimativa foi reduzida de 1,84% para 1,83%. Em 2024, o PIB brasileiro fechou em alta de 3,4%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em relação à taxa básica de juros da economia, a Selic, o mercado financeiro manteve a estimativa para o fim de 2025 em 15% ao ano.
Para 2026, a projeção caiu de 12,25% para 12,13% ao ano. Para 2027, o mercado manteve a estimativa para a Selic em 10,50% ao ano.
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi mantida em 15%. A próxima reunião do colegiado está marcada para 27 e 28 de janeiro.
Falas de dirigentes do Fed
No front externo, as atenções dos investidores continuam voltadas para os Estados Unidos, à espera de “pistas” a respeito da trajetória da taxa básica de juros da maior economia do mundo.
Nesta segunda-feira, pelo menos dois dirigentes do (Fed) devem fazer pronunciamentos: Stephen Miran, membro do Conselho de Governadores do BC norte-americano, e John C. Williams, presidente do Fed de Nova York.
Na semana passada, na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed em 2025, , acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.
A votação não foi unânime. Stephen Miran votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.
Dados da China
Outro destaque da agenda econômica internacional neste início de semana é a divulgação de dados sobre a . A produção industrial do gigante asiático desacelerou para a mínima em 15 meses em novembro, enquanto as vendas do comércio varejista tiveram seu pior resultado desde o fim das restrições pela pandemia de Covid-19.
Na indústria chinesa, a produção cresceu 4,8% no mês passado, em comparação com o mês anterior, de acordo com dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS). Foi o ritmo mais fraco de crescimento do setor industrial desde agosto do ano passado.
Já as vendas do varejo avançaram 1,3% em novembro, o índice mais baixo desde dezembro de 2022. A projeção dos analistas do mercado era a de uma alta bem maior, de 2,8%.
Por: Metrópoles





