Após operar em leve baixa ao longo da tarde, o dólar à vista ganhou fôlego na reta final do pregão e encerrou a sessão desta quarta-feira (22) estável a R$ 4,97. Operadores pontuam que o avanço do preço do petróleo, com o barril do tipo Brent acima de US$ 100, deu suporte ao real em dia predominante de alta da moeda americana no exterior e de queda do Ibovespa a 192.888,95 pontos.
A escalada da commodity contrabalança o aumento da percepção ao risco no exterior ao favorecer os termos de troca do país e, em tese, diminuir menos espaço para a redução da taxa Selic. A perspectiva de juros ainda muito elevados, com amplo diferencial em relação ao exterior, mantém a atratividade do carry trade e torna muito custosas apostas contra a moeda brasileira.
Apesar do presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado extensão do prazo de cessar-fogo com o Irã, após a ausência de progresso nas negociações de paz no fim de semana, o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz - por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo - segue comprometido.
À tarde, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump ainda não determinou o prazo para um cessar-fogo, desmentindo a informação de prolongamento da trégua por período de 3 a 5 dias que circulou mais cedo. A porta-voz relatou que os EUA ainda aguardam uma resposta de lideranças iranianas, que estariam divididas e transmitindo mensagens divergentes. Antes, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que a quebra de compromisso, o cerco e as ameaças são obstáculos.
O diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, ressalta que, apesar das incertezas em torno das negociações para um acordo de paz no Oriente Médio, o real tem se comportado muito bem. "Desde o início do conflito no Oriente Médio, é a moeda que mais se valorizou. Há ainda espaço para se apreciar mais", afirma.
Ele ressalta que o Brasil aparece bem posicionado por ser exportador líquido de petróleo e ter uma matriz energética bem diversificada, incluindo a produção de etanol. "Temos também uma taxa de juros muito elevada para uma inflação na casa de 4%. Se o fiscal estivesse ajeitado, o dólar já estaria em R$ 4,50”, disse.
A moeda americana já apresenta desvalorização de 3,95% em abril, após alta de 0,87% em março, e está no menor nível de fechamento em pouco mais de dois anos. Em 2026, o dólar recua 9,38% em relação ao real, que exibe no período o melhor desempenho entre as moedas mais líquidas, incluindo divisas emergentes e fortes. Destaque também para o peso colombiano, com ganhos de mais de 5%, também favorecido pela alta do petróleo.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em alta ao longo do dia e atingiu a máxima da sessão, aos 98,643 pontos, perto do fechamento do mercado local, com a perda de fôlego do euro.
O Bradesco afirma em relatório que o Brasil apareceu em destaque como alternativa de investimento tanto em juros quanto em moeda. "O fato de ser produtor de petróleo, ter energia limpa, capacidade de receber data centers de IA, estar longe de conflitos e ser diplomaticamente neutro são fatores positivos", afirma o banco.





