• Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Creep feeding na pecuária: passo a passo para potencializar ganho de peso e melhorar a fertilidade

Técnica simples, bem manejada, o creep feeding pode elevar o peso à desmama, reduzir o “atraso” das bezerras e ajudar a encurtar o caminho até a puberdade — mas exige planejamento, adaptação e controle de consumo para não virar custo sem retorno.

Técnica simples, bem manejada, o creep feeding pode elevar o peso à desmama, reduzir o “atraso” das bezerras e ajudar a encurtar o caminho até a puberdade — mas exige planejamento, adaptação e controle de consumo para não virar custo sem retorno. O creep feeding ( ou “creche do bezerro”) é uma estratégia de suplementação exclusiva para bezerros ao pé da vaca, com acesso a um cocho protegido por uma estrutura que impede a entrada das matrizes. Na prática, ele serve para acelerar o crescimento em momentos em que o leite e o pasto não dão conta sozinhos (seca, transição águas-seca, pasto de baixa qualidade, lotação alta), e também para padronizar lotes, melhorar desempenho de animais superiores e diminuir o impacto da estação na desmama. Quando a execução é bem feita, o creep feeding tende a entregar três ganhos claros:
  • Mais peso à desmama (e lote mais uniforme)
  • Menos “freio” de crescimento na seca e na fase final da cria
  • Para bezerras de reposição, melhor desenvolvimento corporal, o que pode favorecer entrada mais cedo na puberdade e melhora de índices reprodutivos quando o manejo nutricional do pós-desmame acompanha (sem “sobe e desce” de dieta)
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  • A seguir, o Compre Rural montou o passo a passo completo — do objetivo ao cocho — para você aplicar a técnica com eficiência e segurança. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});1) Defina o objetivo do creep feeding (isso muda tudo) Antes de comprar ração, você precisa responder: qual problema eu quero resolver?Os objetivos mais comuns são:
  • Aumentar peso à desmama para vender bezerro mais pesado
  • Proteger desempenho na seca (quando a vaca cai de leite e o pasto perde valor)
  • Preparar bezerra de reposição, garantindo estrutura e condição corporal mais cedo
  • Uniformizar lote (reduzir diferença entre bezerros “atrasados” e “adiantados”)
  • Sem objetivo, você não mede retorno. Sem retorno, vira suplementação “no escuro”.2) Escolha o momento certo de iniciar Em geral, o creep feeding faz mais sentido quando:
  • o bezerro já “aprendeu” a comer (fase em que começa a beliscar capim e explorar cochos)
  • queda de oferta/qualidade do pasto ou limitação de leite
  • você quer ganho extra nos 60–90 dias finais antes da desmama, quando o consumo e a resposta tendem a ser maiores
  • Ponto de atenção: iniciar cedo demais pode gerar baixo consumo (desperdício); iniciar tarde demais pode reduzir a janela de resposta. 3) Monte o creep feeding: estrutura que funciona no dia a dia Um creep eficiente precisa cumprir 3 funções: acesso só do bezerro, conforto e segurança. Checklist prático:
  • Entrada seletiva: vãos que passam bezerros e barram vacas
  • Local seco e firme: evita lama, micotoxinas, empedramento e cocho sujo
  • Sombra e água próximas: aumenta permanência e consumo
  • Cocho coberto (se possível): reduz umidade e perdas
  • Espaço de cocho: evite “empurra-empurra” e dominância; cocho curto demais reduz consumo dos menores
  • Dica de campo: colocar o creep em área de passagem natural (próximo a água/sombra) aumenta a “adesão” do lote. 4) Defina o tipo de suplemento (o que vai no cocho) Aqui está um dos pontos mais sensíveis: o creep feeding não é “qualquer ração”. A dieta deve ser palatável, estável e compatível com a fase do bezerro. Opções comuns de abordagem:
  • Creep energético/proteico (pasto ruim/seca): busca compensar falta de energia e proteína
  • Creep mais energético (pasto bom, mas foco em ganho rápido): acelera acabamento e peso
  • Creep para bezerras de reposição: mira crescimento estrutural e regularidade, sem “explodir” condição corporal de forma desbalanceada
  • O erro clássico: suplemento “forte” demais sem adaptação → acidose, diarreia, queda de desempenho e custo alto. 5) Faça adaptação alimentar (o passo que mais evita prejuízo) A adaptação é o que separa creep feeding lucrativo de creep feeding problemático. Rotina recomendada:
  • Comece com pequena oferta diária, para ensinar consumo
  • Ajuste gradualmente até atingir o consumo-alvo
  • Evite “sobra velha” no cocho: ração oxidada perde palatabilidade e pode mofar
  • Regra de ouro: bezerro deve comer todo dia, mas sem “encher” cocho de uma vez. Constância vale mais do que volume. 6) Controle o consumo (senão você não controla o custo) Creep feeding tem retorno quando existe ganho adicional real e custo controlado. Como controlar:
  • Trabalhe com meta de consumo por bezerro/dia e acompanhe no cocho
  • Observe se há bezerros dominando o acesso (os menores somem do cocho)
  • Ajuste oferta para manter cocho “limpo”, com sobra mínima
  • Sinal de alerta: consumo alto sem ganho proporcional pode indicar formulação inadequada, cocho mal posicionado, desperdício, ou que o pasto/leite já estavam entregando o necessário (resposta marginal baixa). 7) Maneje o ambiente: sanidade e desempenho andam juntos O creep feeding aumenta ingestão e aglomeração ao cocho. Se o ambiente estiver ruim, o risco sobe. Cuidados que fazem diferença:
  • Higiene do cocho (ração úmida = risco de fungos e queda de consumo)
  • Controle de lama e poeira
  • Monitoramento de diarreia e fezes muito moles (sinal de ajuste necessário)
  • Água de qualidade sempre perto (hidratação influencia consumo e digestão)
  • Desempenho não é só ração: é ração + ambiente + rotina. 8) Ajuste o creep à categoria: bezerro para venda x bezerra de reposição Aqui entra a promessa da manchete: crescimento e fertilidade. Bezerros para venda (peso e padronização) O foco costuma ser:
  • ganho rápido e consistente
  • lote mais uniforme
  • melhor peso à desmama, valorizando arrobas e liquidez comercial
  • Bezerras de reposição (crescimento e puberdade) Para bezerras, o creep feeding pode ajudar porque:
  • melhora crescimento contínuo, reduzindo “travas” nutricionais
  • facilita atingir peso e desenvolvimento compatíveis com puberdade mais cedo
  • Mas existe um detalhe crucial:
    fertilidade não melhora por milagre — ela melhora quando a bezerra atinge desenvolvimento adequado com regularidade, sem extremos. Risco a evitar: “engordar demais” sem estrutura. Excesso de energia mal conduzido pode gerar animal precoce no acúmulo de gordura, mas sem base corporal proporcional — e aí o desempenho reprodutivo pode não acompanhar como esperado. 9) Meça resultado: sem régua, não há lucro O creep feeding precisa ser avaliado como investimento. Indicadores simples (e muito eficientes):
  • Peso médio à desmama (antes x depois / com x sem creep)
  • Ganho médio diário no período de uso
  • Uniformidade do lote (diferença entre leves e pesados)
  • Para reposição: peso/estrutura na desmama e consistência do ganho pós-desmama
  • A métrica final é econômica: custo por kg adicional produzido. 10) Erros mais comuns (e como evitar)
  • Cocho sem controle → desperdício e custo invisível
  • Suplemento forte sem adaptação → acidose/diarreia e perda de desempenho
  • Creep mal localizado → bezerro não frequenta, consumo baixo
  • Falta de espaço → só os dominantes comem, lote fica desigual
  • Usar creep onde não precisa → resposta pequena e ROI ruim
  • Desmamar e “largar” a dieta → bezerro perde ganho, bezerra não consolida desenvolvimento
  • Quando o creep feeding mais “brilha” na prática Ele costuma ser mais estratégico quando:
  • a vacada entra em período de queda de leite
  • o pasto está limitante (seca ou transição)
  • o sistema quer desmama mais pesada
  • a fazenda precisa encurtar ciclo e acelerar reposição com bezerras bem desenvolvidas
  • Por: Redação

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