• Domingo, 22 de março de 2026

Conselho de contabilidade vai apurar se auditores do Master erraram

Seção paulista do CFC avalia se contadores seguiram normas da profissão nos mesmos moldes adotados nas Americanas.

O presidente do CFC (Conselho Federal de Contabilidade), Joaquim Bezerra Filho, afirmou que a seção paulista do conselho está abrindo procedimento para apurar a atuação de contadores e auditores no caso do Banco Master. 

De acordo com Bezerra Filho, o processo vai analisar se os profissionais cumpriram as normas técnicas e o código de ética da profissão. “Nossa função é proteger a sociedade. Não seremos corporativos”, disse.

O presidente do CFC afirmou que o caso envolve apenas 1 processo administrativo, que irá avaliar conjuntamente a conduta do contador e do auditor responsáveis.

No Banco Master houve duas situações, houve uma abstenção de opinião [em auditoria] e houve momentos em que, durante o parecer do auditor, ele apontou riscos relevantes de crime, de fraude”, disse em entrevista ao Poder360.

Assista à íntegra (34min54s): 

Ele declarou que a auditoria integra um sistema mais amplo de governança e não tem caráter investigativo. Segundo ele, o trabalho do auditor parte da presunção de boa-fé e é realizado com base em escopo previamente definido e por amostragem, a partir das informações fornecidas pela própria empresa. Ele questiona o motivo de esses alertas não terem sido considerados por outros profissionais. 

Agora a pergunta é: por que não leram? Não adianta chegar agora e dizer: ‘Olha, o problema foi a auditoria, o auditor’. Não, ela é parte de um sistema”, afirmou. Citou setores como compliance que são parte do mesmo conjunto de ações para combater eventuais fraudes. 

O presidente do CFC disse ainda que o conselho tem limites na apuração de crimes, que cabem a órgãos como a Polícia Federal, o Banco Central, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e ao Congresso Nacional.

A atuação da entidade, segundo ele, se restringe à verificação do cumprimento das normas profissionais. “Compete a nós analisar se o contador e o auditor exerceram sua profissão dentro do código de ética e das normas técnicas”, disse.

Bezerra Filho afirmou que o conselho também já iniciou procedimentos semelhantes no caso das lojas Americanas, que também tiveram fraudes internos. Segundo ele, a entidade busca fortalecer a confiança pública na profissão contábil e ampliar sua atuação no combate a irregularidades, dentro de suas competências institucionais.

Dados apresentados pelo presidente indicam que o Brasil produz mais de 55 mil pareceres de auditoria por ano para empresas e fundos. Ele destacou que o país tem cerca de 32.000 fundos, número superior ao dos Estados Unidos, a maioria de caráter privado.

Por: Poder360

Artigos Relacionados: