O setor de polpas e o mercado de fruticultura acompanham o desdobramento de um crime que utilizou um dos maiores símbolos da biodiversidade brasileira como arma. Na última quarta-feira (15), a Polícia Civil de São Paulo prendeu preventivamente Larissa de Souza Batista, acusada de preparar um açaí envenenado para tentar matar o namorado, Adenilson Ferreira Parente. A prisão ocorreu em Ribeirão Preto, onde a ré estava escondida em um hotel sob identidade falsa.
O caso do açaí envenenado mobilizou a 3ª Delegacia de Investigações Sobre Homicídios do Deic. Segundo as investigações, a mulher já era considerada foragida após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) formalizar a denúncia por homicídio qualificado tentado, com agravantes de emprego de meio cruel e dissimulação.
O cerco policial e a prisão pela suspeita de açaí envenenadoA captura de Larissa encerra uma etapa de buscas que se iniciou logo após a Justiça aceitar a denúncia do promotor Eliseu Berardo Gonçalves. A acusada, que resetou seu aparelho celular para dificultar o acesso a provas digitais durante a operação policial, foi encaminhada para a Cadeia Pública de São Joaquim da Barra.
O episódio que resultou no açaí envenenado ocorreu em 5 de fevereiro. Na ocasião, a vítima deu entrada em uma unidade hospitalar em estado crítico. O inquérito aponta que a relação amorosa foi o facilitador para que o crime ocorresse, evidenciando o caráter dissimulado da ação.
Terbufós: O perigo do inseticida agrícola no açaí envenenadoUm dos pontos mais sensíveis para o agronegócio neste caso é o uso indevido do terbufós. Trata-se de um inseticida e nematicida do grupo dos organofosforados, de uso restrito na agricultura, mas que é frequentemente desviado para o mercado ilegal como “chumbinho”.
Laudos médicos e periciais confirmaram a presença da substância tanto no organismo de Adenilson quanto no fundo do recipiente que continha a polpa. A perícia técnica foi fundamental para desbancar a versão da defesa, que tentou alegar que o material adicionado ao açaí envenenado era apenas leite condensado. Conforme o MPSP, o ingrediente já constava na receita original e não houve pedido de “extra”, comprovando a manipulação dolosa do alimento.
Dinâmica do crime e a farsa capturada por câmerasImagens de segurança de um estabelecimento comercial foram peças-chave para entender como o açaí envenenado chegou à vítima. De acordo com os autos:
Mesmo diante do agravamento da saúde do namorado, Larissa manteve a dissimulação, sugerindo que ele fizesse uma lavagem estomacal, em uma tentativa de afastar a suspeita de crime.
Motivação e cenário jurídico atualEmbora a promotoria tenha cogitado inicialmente uma motivação financeira, devido a uma quantia de R$ 20 mil que a vítima possuía, o promotor Eliseu Berardo descartou essa linha, pois o valor não foi subtraído. A tese atual foca no homicídio qualificado por traição e meio cruel. O caso do açaí envenenado serve como um alerta para o rigor no controle de substâncias químicas agrícolas e a celeridade da justiça criminal em casos de violência doméstica e afetiva.





