• Terça-feira, 28 de abril de 2026

Conheça o marceneiro que largou tudo para cultivar a fruta cuja flor só abre à noite

Após trocar duas décadas de marcenaria pelo campo, produtor de São Miguel do Oeste alcança marca de 6 toneladas por safra ao cultivar pitaya, provando a viabilidade da agricultura familiar frente às oscilações do mercado nacional

Em São Miguel do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, a trajetória de Vilson Jacó Vogel, 55 anos, ilustra uma das maiores tendências de transição de carreira no campo: a aposta em culturas de alto valor agregado. Após duas décadas como marceneiro, Vogel tomou a decisão drástica de abandonar a segurança do emprego fixo para cultivar pitaya, transformando um complemento de renda em um negócio que hoje sustenta 100% de sua família.

A mudança não foi repentina, mas fruto de uma percepção aguçada de mercado. Iniciada há nove anos, a produção de Vilson começou de forma experimental. No entanto, o crescimento da demanda pela “fruta do dragão”, como é conhecida mundialmente, forçou o então marceneiro a escolher entre a oficina e o pomar. “Eu trabalhava em uma empresa com um bom salário, mas os clientes começaram a procurar a fruta em minha casa enquanto eu estava fora; eles pegavam a produção e deixavam o dinheiro na mesa. Ali percebi que era hora de cultivar pitaya em tempo integral”, relembra o produtor ao portal NSC Total.

Como cultivar pitaya com alta produtividade

O sucesso de Vilson não é por acaso. O produtor hoje gerencia cerca de 450 pés da fruta, alcançando uma produtividade impressionante que varia entre cinco e seis toneladas por safra. Para atingir esses números em solo catarinense, o manejo exige rigor técnico, especialmente nos primeiros 24 meses de plantio, período em que a espécie apresenta maior vulnerabilidade.

Para quem deseja cultivar pitaya com sucesso, Vogel destaca que o microclima regional é o maior aliado e, simultaneamente, o maior risco. Embora a planta seja resiliente, a geada característica do Sul do Brasil pode ser fatal para os exemplares jovens. “O segredo está no local privilegiado. Aqui é frio, mas a incidência de geada é menor do que em outras áreas do estado. A pitaya exige esse equilíbrio térmico para que a floração noturna ocorra com vigor”, explica o especialista.

O mercado da pitaya: Da exclusividade à democratização de preços

O cenário econômico enfrentado por quem decide cultivar pitaya mudou drasticamente na última década. Se no início da trajetória de Vilson o quilo da fruta era um artigo de luxo, chegando a ser comercializado por R$ 40 ou R$ 50, a expansão da área plantada em Santa Catarina — hoje um dos maiores produtores nacionais — trouxe uma correção nos preços.

Atualmente, o valor de mercado oscila entre R$ 4,00 e R$ 6,00 por quilo. Essa deflação, segundo dados do setor, exige que o agricultor adote estratégias de comercialização direta para manter a margem de lucro. Vilson dribla a volatilidade dos preços através de:

  • Venda direta ao consumidor: Utilização de grupos de WhatsApp e fidelização de clientela particular.
  • Abastecimento local: Suprimento constante do varejo em São Miguel do Oeste.
  • Escoamento estratégico: Parcerias com centros de distribuição em Chapecó para anos de superprodução.
  • Sustentabilidade na agricultura familiar

    A história de Vilson Vogel prova que, apesar da queda nos preços unitários, a escala e o baixo custo de manutenção para o pequeno produtor ainda tornam o negócio viável. Sem a necessidade de grandes equipes de funcionários, a agricultura familiar consegue absorver as oscilações do mercado. “Para o pequeno, o negócio ainda compensa muito, mas é preciso acompanhar o mercado de perto e cuidar de cada pé como se fosse único”, conclui o produtor.

    Por: Redação

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