• Quinta-feira, 30 de abril de 2026

Comida di Buteco 2026: estreante em Florianópolis aposta em receita com raízes africanas

Restaurante inspirado na ancestralidade da Guiné-Bissau leva ao concurso um risole de camarão com espinafre e temperos que unem culturas africana e brasileira

Estreante no Comida di Buteco em 2026, o Okinka – Gastrobar Africano chega ao concurso levando para a disputa uma mistura de sabores africanos e brasileiros que traduz a essência do restaurante. Com o “Rissois da Ilha”, o buteco aposta na combinação entre tradição, ancestralidade e criatividade para conquistar o público e os jurados nesta edição.

O prato criado para a competição é um risole de espinafre com camarão, acompanhado de maionese temperada e cream cheese de espinafre. A receita reúne referências da culinária brasileira com o toque especial dos temperos africanos, marca registrada da casa.

Inaugurado em fevereiro de 2025, o Okinka nasceu em um momento de incertezas e transformação na vida da proprietária, que cursava o segundo ano do doutorado em enfermagem em Florianópolis. Depois de concluir as disciplinas, ela começou a refletir sobre o futuro profissional, as dificuldades do mercado de trabalho e o alto custo de vida na capital catarinense.

Foi então que decidiu transformar uma paixão antiga em fonte de renda.

— Sempre amei cozinhar e receber pessoas. Na universidade eu já empreendia, vendia doces, bolos e comidas típicas em eventos. Percebi também que Florianópolis não tinha um espaço voltado para a culinária africana, e quis trazer essa diversidade cultural para a cidade — conta.

O nome do restaurante carrega um significado especial. Inspirado na Rainha Okinka Pampa, da Guiné-Bissau, o espaço busca valorizar a ancestralidade, o respeito à natureza, a defesa de direitos e a conexão entre culturas. Mais do que um restaurante, a proposta é oferecer uma experiência cultural marcada por afeto, resistência e troca de vivências.

A relação da proprietária com a cozinha começou muito antes da abertura do espaço físico. Natural da Guiné-Bissau, ela chegou ao Brasil em 2014 para cursar enfermagem e, desde a graduação, encontrou na culinária uma forma de empreender e manter vivas as tradições africanas.

Durante anos, participou de feiras, encontros universitários e celebrações da independência de países africanos, preparando pratos típicos e reunindo amigos em casa para almoços e jantares. Em 2025, decidiu dar um passo maior e abrir o próprio restaurante no Centro Histórico de Florianópolis.

— O Centro Leste é um lugar de cultura viva na cidade, então estar ali também tem um significado importante. Queremos somar a essa diversidade cultural — afirma.

Hoje, o Okinka trabalha tanto com pratos brasileiros quanto africanos. Nos finais de semana, o cardápio ganha ainda mais identidade com receitas típicas de países como Guiné-Bissau, Senegal, Cabo Verde e Nigéria.

Apesar da realização do sonho, os desafios continuam presentes. A maior dificuldade, segundo a proprietária, é encontrar um espaço com estrutura adequada e lidar com os altos custos de aluguel e gestão financeira.

— Pensar em desistir acontece quase todos os dias, principalmente pelos custos altos. Mas o amor pela cozinha e pelo propósito do restaurante fala mais alto — diz.

O negócio é tocado ao lado do marido, mantendo o caráter familiar do empreendimento. Agora, com a estreia no Comida di Buteco, a expectativa é apresentar ainda mais pessoas à culinária africana e fortalecer o espaço no cenário gastronômico de Florianópolis.

— Participar do concurso é uma oportunidade de mostrar nossa cultura, nossos sabores e tudo o que acreditamos através da comida — resume.

No Comida di Buteco, os estabelecimentos oferecem petiscos exclusivos durante um período de tempo, por um preço fixo — neste ano, o valor é de R$ 40. Depois, público e jurados elegem o melhor “buteco” da cidade. O critério principal é a qualidade do petisco, mas a avaliação também considera atendimento, higiene e temperatura da bebida.

Depois dessa, são mais duas etapas: eleitos os vencedores de cada circuito, um outro corpo de jurados visita e avalia os campeões para que seja eleito, então, o melhor “buteco” do Brasil.

Em todo o Brasil, o concurso abrange cerca de 50 municípios de Norte a Sul do país, em todas as regiões, com quase 1,2 mil botecos. Na edição deste ano, que deve terminar apenas no dia 3 de maio, o tema será verduras e os participantes deverão criar petiscos utilizando as partes comestíveis das plantas.

Empadinha do Pescador: empada aberta de camarão com molho de camarão, catupiry e alho-poró, finalizada com camarão empanado na farinha panko e crispy de alho-poró.

Por: NSC Total

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