Mais de 41 milhões de colombianos vão às urnas neste domingo (31) para escolher o sucessor do presidente Gustavo Petro em uma eleição marcada pela polarização política, pelos desafios na área de segurança e pelas dificuldades do governo em avançar com sua agenda de paz.
A disputa presidencial reúne o senador Iván Cepeda, candidato governista e defensor da continuidade do projeto político de Petro, e os conservadores Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, que representam propostas mais alinhadas à direita.
Os eleitores escolherão apenas presidente e vice-presidente, já que as eleições legislativas foram realizadas em março. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos. Caso contrário, os dois mais votados disputarão o segundo turno, marcado para 21 de junho.
Segundo as pesquisas mais recentes, Cepeda lidera a corrida eleitoral e aparece como favorito para avançar à segunda rodada. Em alguns levantamentos, o candidato do Pacto Histórico alcança até 44% das intenções de voto, embora ainda sem garantia de vitória no primeiro turno.
Aliado de Petro, Cepeda promete manter a agenda progressista do atual governo, com foco na ampliação da presença do Estado em áreas como saúde e previdência. O senador também defende a retomada de negociações de paz apenas com grupos armados que abandonem ações violentas contra líderes sociais.
Com trajetória ligada à defesa dos direitos humanos, Cepeda ganhou projeção nacional por sua atuação em processos relacionados ao ex-presidente Álvaro Uribe e por sua participação em iniciativas de negociação com grupos armados, incluindo o acordo de paz firmado com as extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em 2016.
Principal adversário do governista nas pesquisas, o empresário e advogado Abelardo de la Espriella se apresenta como um outsider da política. Com discurso de endurecimento contra o crime e a corrupção, ele defende o fortalecimento das forças de segurança e afirma se inspirar em modelos adotados por líderes conservadores da região.
De la Espriella também promete implementar um plano emergencial para enfrentar a crise do sistema de saúde e ampliar ações de combate à corrupção. As pesquisas lhe atribuem entre 30% e 37% das intenções de voto.
Já a senadora Paloma Valencia, do Centro Democrático, partido ligado ao ex-presidente Álvaro Uribe, aparece em terceiro lugar. Ela defende o aumento das operações militares contra grupos armados, critica mecanismos de justiça criados após os acordos de paz de 2016 e sustenta pautas conservadoras em temas sociais.
Os principais desafios do próximo governo incluem a recuperação do sistema público de saúde, o combate à corrupção e a redução da violência. Apesar das tentativas de negociação promovidas por Petro, a Colômbia segue enfrentando a expansão de grupos armados e do narcotráfico, fatores que continuam a alimentar a insegurança em diversas regiões do país.
Na área da saúde, o atual presidente encerra o mandato sem conseguir aprovar sua principal reforma para o setor. O projeto, que previa maior centralização dos recursos pelo Estado e fortalecimento da atenção primária, acabou arquivado pelo Congresso após meses de debate.
Independentemente do resultado das urnas, o próximo presidente terá de governar em um cenário político dividido. O Pacto Histórico permanece como a maior força no Legislativo, seguido pelo Centro Democrático, o que indica a necessidade de negociações e alianças para a aprovação de projetos nos próximos anos.





