• Sábado, 30 de maio de 2026

Colômbia escolhe novo presidente em disputa marcada por segurança e crise na saúde

Iván Cepeda lidera as intenções de voto, mas enfrenta resistência de forças conservadoras que tentam unificar apoio em uma eventual segunda rodada

Mais de 41 milhões de colombianos vão às urnas neste domingo (31) para escolher o sucessor do presidente Gustavo Petro em uma eleição marcada pela polarização política, pelos desafios na área de segurança e pelas dificuldades do governo em avançar com sua agenda de paz.

A disputa presidencial reúne o senador Iván Cepeda, candidato governista e defensor da continuidade do projeto político de Petro, e os conservadores Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, que representam propostas mais alinhadas à direita.

Os eleitores escolherão apenas presidente e vice-presidente, já que as eleições legislativas foram realizadas em março. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos. Caso contrário, os dois mais votados disputarão o segundo turno, marcado para 21 de junho.

Segundo as pesquisas mais recentes, Cepeda lidera a corrida eleitoral e aparece como favorito para avançar à segunda rodada. Em alguns levantamentos, o candidato do Pacto Histórico alcança até 44% das intenções de voto, embora ainda sem garantia de vitória no primeiro turno.

Aliado de Petro, Cepeda promete manter a agenda progressista do atual governo, com foco na ampliação da presença do Estado em áreas como saúde e previdência. O senador também defende a retomada de negociações de paz apenas com grupos armados que abandonem ações violentas contra líderes sociais.

Com trajetória ligada à defesa dos direitos humanos, Cepeda ganhou projeção nacional por sua atuação em processos relacionados ao ex-presidente Álvaro Uribe e por sua participação em iniciativas de negociação com grupos armados, incluindo o acordo de paz firmado com as extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em 2016.

Principal adversário do governista nas pesquisas, o empresário e advogado Abelardo de la Espriella se apresenta como um outsider da política. Com discurso de endurecimento contra o crime e a corrupção, ele defende o fortalecimento das forças de segurança e afirma se inspirar em modelos adotados por líderes conservadores da região.

De la Espriella também promete implementar um plano emergencial para enfrentar a crise do sistema de saúde e ampliar ações de combate à corrupção. As pesquisas lhe atribuem entre 30% e 37% das intenções de voto.

Já a senadora Paloma Valencia, do Centro Democrático, partido ligado ao ex-presidente Álvaro Uribe, aparece em terceiro lugar. Ela defende o aumento das operações militares contra grupos armados, critica mecanismos de justiça criados após os acordos de paz de 2016 e sustenta pautas conservadoras em temas sociais.

Os principais desafios do próximo governo incluem a recuperação do sistema público de saúde, o combate à corrupção e a redução da violência. Apesar das tentativas de negociação promovidas por Petro, a Colômbia segue enfrentando a expansão de grupos armados e do narcotráfico, fatores que continuam a alimentar a insegurança em diversas regiões do país.

Na área da saúde, o atual presidente encerra o mandato sem conseguir aprovar sua principal reforma para o setor. O projeto, que previa maior centralização dos recursos pelo Estado e fortalecimento da atenção primária, acabou arquivado pelo Congresso após meses de debate.

Independentemente do resultado das urnas, o próximo presidente terá de governar em um cenário político dividido. O Pacto Histórico permanece como a maior força no Legislativo, seguido pelo Centro Democrático, o que indica a necessidade de negociações e alianças para a aprovação de projetos nos próximos anos.

Por: ITATIAIA

Artigos Relacionados: