O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) emitiu um alerta sanitário nesta sexta-feira (29) após a confirmação de um caso de mosca-da-bicheira, uma praga cujas larvas se alimentam de carne viva, a menos de 50 quilômetros da fronteira com os EUA. O parasita foi identificado em uma ovelha de seis meses no estado de Coahuila, no México.
Esta é a detecção mais próxima do território americano desde o início do atual surto, intensificando a mobilização de autoridades e pecuaristas que tentam conter o avanço do inseto há mais de um ano.
A mosca-da-bicheira representa uma das maiores ameaças biológicas para a pecuária. O ciclo de infestação do parasita funciona da seguinte forma:
A infecção: as fêmeas da mosca depositam centenas de ovos em feridas abertas de animais de sangue quente.
O ataque: ao eclodirem, as larvas penetram no tecido e passam a devorar a carne viva do hospedeiro.
A gravidade: embora os ataques a seres humanos sejam raros, a infestação em animais é devastadora e, se não for tratada rapidamente, é fatal.
A chegada da praga aos EUA pode desestabilizar o mercado de proteína vermelha. Atualmente, o rebanho bovino americano já enfrenta o menor nível em 75 anos, o que tem mantido os preços da carne em patamares recordes.
Especialistas apontam que uma eventual contaminação em massa reduziria drasticamente a oferta de gado, pressionando ainda mais a inflação dos alimentos. Somente no Texas, o maior produtor de gado do país, o USDA estima que um surto generalizado causaria um prejuízo de até US$ 1,8 bilhão.
Medidas de contenção: como barreira sanitária, os EUA mantêm restrições severas à importação de gado mexicano há mais de um ano.
O governo americano tem investido milhões de dólares no desenvolvimento de uma arma biológica para combater a praga: instalações voltadas para a produção de moscas estéreis. A estratégia consiste em liberar esses insetos na natureza para interromper o ciclo de reprodução da espécie.
No entanto, as unidades fabris do USDA ainda não estão em operação, tornando o cenário na fronteira ainda mais crítico.





