• Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

CNA: liberalização tarifária não garante acesso efetivo ao mercado europeu

No primeiro ano de vigência, 39% dos produtos do agro exportados à UE terão tarifa zero, estima a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

No primeiro ano de vigência, 39% dos produtos do agro exportados à UE terão tarifa zero, estima a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Brasília, 23 – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) é um “instrumento estratégico” para o agronegócio brasileiro. A entidade apoia a ratificação do acordo, mas pondera que a “liberalização tarifária” prevista pelo acordo, “por si só, não garante acesso efetivo ao mercado europeu”. “Isso porque parte essencial das condições de entrada de produtos do agro na UE passou a depender de exigências regulatórias externas ao texto do acordo, caso do Regulamento Europeu do Desmatamento (EUDR), e de mecanismos recém-adotados pela União Europeia, como o regulamento de salvaguardas bilaterais com gatilhos automáticos”, explicou a entidade em nota técnica. A confederação destaca que, do ponto de vista tarifário, o acordo prevê uma abertura “ampla e gradual”. No primeiro ano de vigência, 39% dos produtos do agro exportados à UE terão tarifa zero, estima a CNA.
  • Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
  • Justiça suspende embargos do Ibama no Matopiba e libera fazenda após 18 anos de bloqueio
    Justiça suspende embargos do Ibama no Matopiba e libera fazenda após 18 anos de bloqueio
    Para a CNA, medidas unilaterais, como a EUDR e as salvaguardas agrícolas, geram “risco real de neutralização das preferências tarifárias negociadas”. O impacto é “desproporcional” sobre pequenos e médios produtores, observou a confederação. “Por isso, a CNA ressalta a importância de que, antes da aprovação do Congresso Nacional e da internalização do acordo, o Brasil adote as medidas necessárias para garantir a integridade econômica das concessões negociadas e mitigue os efeitos negativos das novas regulações europeias sobre o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu”, acrescentou a entidade. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});A CNA defendeu que “para garantir a aplicação equilibrada do acordo” a atualização do decreto de salvaguardas globais, a fim de facilitar o acesso das empresas ao mecanismo de defesa comercial no Brasil; a regulamentação de procedimento específico para salvaguardas bilaterais; o desenvolvimento de contramedidas nacionais para mitigar os efeitos de salvaguardas bilaterais eventualmente acionadas pela União Europeia; adoção do mecanismo de reequilíbrio previsto no acordo, sempre que novas regulações europeias reduzirem o valor econômico das preferências concedidas. “Em síntese, o acordo Mercosul-União Europeia oferece oportunidade significativa para o agronegócio e para a indústria brasileira. Entretanto, sua efetividade dependerá da capacidade nacional de harmonizar requisitos regulatórios, preservar isonomia competitiva e proteger o valor das concessões obtidas, especialmente diante das novas exigências e instrumentos unilaterais adotados pela União Europeia”, avaliou a CNA.
    Por: Redação

    Artigos Relacionados: