A farmacêutica Cimed distribuiu R$ 427,2 milhões aos acionistas em 2025 por meio de dividendos e JCP (juros sobre capital próprio). Foi mais que o dobro do lucro líquido consolidado do ano, de R$ 196,7 milhões. Para viabilizar os pagamentos diante de um fluxo de caixa operacional negativo de R$ 55,5 milhões, a companhia captou R$ 450 milhões em empréstimos e debêntures. Eis a íntegra (PDF – 1 MB).
O movimento se deu no contexto de mudanças tributárias estabelecidas na Lei 15.270 de 2025, que mantinha a isenção de Imposto de Renda sobre lucros apurados até 31 de dezembro de 2025, desde que a deliberação societária fosse formalizada no período. Na prática, isso permitiu que a empresa antecipasse pagamentos a acionistas, evitando a incidência do IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) sobre distribuições acima de R$ 50.000 mensais por beneficiário, condição que passou a vigorar em 2026.
Apesar da queda no lucro, a receita líquida da Cimed avançou 12,5% em 2025, acima do crescimento de 11,3% registrado pelo setor farmacêutico brasileiro no mesmo período, segundo dados da Abre (Associação Brasileira de Embalagem).
O lucro líquido caiu de R$ 280,9 milhões para R$ 196,7 milhões, pressionado pela implementação do sistema SAP S/4HANA, que trouxe desafios operacionais no 1º trimestre, e pelo aumento de 41,5% nas despesas com propaganda e marketing, que totalizaram R$ 182,8 milhões.
O aumento de estoques consumiu R$ 232,3 milhões de caixa, contribuindo para o fluxo operacional negativo e reforçando a necessidade de captações externas para viabilizar a distribuição de dividendos aos acionistas.
A Cimed ampliou sua presença no mercado de consumo com a integração da R2M, liderança em lenços umedecidos, e a criação da joint venture Cilab S.A., focada em produtos para bebês. A empresa também lançou a marca Super e anunciou a aquisição da Ice Fresh, reforçando seu plano de expansão em categorias de alto potencial
Em março de 2025, o GIC (fundo soberano de Cingapura) entrou como acionista minoritário da Cimed, em um movimento para reforçar a governança corporativa e a capacidade de expansão de longo prazo. A companhia aprovou um aumento de capital de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 424,5 milhões foram integralizados ainda em 2025.
Com a participação do novo investidor, que passou a deter 12,54% da empresa, a Cimed iniciou sua chamada “Nova Era”, focada em transformação tecnológica e na profissionalização da gestão, incluindo a nomeação de Adibe Marques como CCO (Chief Commercial Officer), responsável por liderar as estratégias comerciais e impulsionar o crescimento das marcas da companhia.
A dívida consolidada da Cimed em empréstimos e debêntures fechou 2025 em R$ 1,63 bilhão, com R$ 157,8 milhões adicionais em passivos de arrendamento, refletindo o movimento de capitalização necessário para remunerar acionistas, mesmo diante de fluxo de caixa operacional negativo e aumento de estoques.
O elevado endividamento, ainda que viabilizado pelo aumento de capital, reforça a pressão sobre a liquidez da companhia e a dependência de fluxo de caixa futuro para sustentar dividendos e expansão.
Para 2026, a companhia definiu como prioridade o fortalecimento da geração de caixa e a disciplina financeira, buscando equilibrar a estrutura de capital, reduzir a dependência de novos financiamentos e ter sustentabilidade para seus negócios de Genéricos e Consumo.





