A China concederá isenção total de tarifas para produtos importados de 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com Pequim. A medida entrará em vigor em 1º de maio, sendo parte de uma estratégia de aproximação do governo chinês com o continente, uma das prioridades estabelecidas pelo presidente Xi Jinping (PCCh) nos últimos anos.
O governo chinês confirmou ao Poder360 que o único país que não será incluído na isenção de taxas é o Essuatíni –pequena nação sem saída para o mar, situada no sudeste do continente e que não tem relações diplomáticas oficiais com Pequim.
Um dos motivos da decisão do governo chinês foi o crescente volume do comércio com o continente. Em 2024, atingiu 2,1 trilhões de yuans. As principais indústrias que impulsionaram a parceria comercial foram de agricultura e infraestrutura.
Xi planeja ampliar o acesso de produtos do continente ao mercado chinês. Para isso, quer modernizar o “canal verde”, sistema que facilita o trâmite de mercadorias entre os países.
Nas últimas décadas, a China estabeleceu presença significativa na África, com investimentos concentrados principalmente em infraestrutura logística. O país asiático tem controle ou participação em 1/3 dos portos do continente africano, onde suas empresas estatais financiam, constroem ou operam instalações.
Um relatório divulgado pelo CAEE (Centro Africano de Estudos Estratégicos) em março de 2025 mostra que a China tem presença em 78 das 231 instalações portuárias existentes no continente. Os dados indicam que a participação chinesa corresponde a aproximadamente 33,7% da infraestrutura portuária.
A partir de maio, quando a medida entrar em vigor, o volume de exportações africanas para a China deve aumentar, fortalecendo as relações comerciais entre o país asiático e o continente. As instalações portuárias sob influência de Pequim também servem para a atracação de navios da Marinha chinesa e para a realização de exercícios navais no continente africano.





