O governo federal adotou uma postura estratégica para destravar novos canais de exportação e impulsionar a balança comercial. Em reunião bilateral de alto escalão em Pequim, a China recebe pedido do Brasil para habilitar 33 novos frigoríficos, sinalizando a possibilidade de uma forte injeção de capital e volume de negócios para a pecuária nacional ainda no decorrer de 2026.
Como o pleito para habilitar 33 novos frigoríficos foi formalizadoA entrega do documento oficial ocorreu durante uma audiência entre o ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, e a ministra da Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC), Sun Meijun. O portfólio encaminhado à liderança asiática detalha uma diversificação importante na oferta de proteína: são 20 plantas dedicadas à carne bovina, 11 ao segmento de aves e duas voltadas para a carne suína.
Ao contrário de sondagens iniciais de mercado, essas 33 plantas industriais já superaram todas as etapas de conformidade técnica e exigências sanitárias estabelecidas por Pequim. Os estabelecimentos constam, inclusive, no single window, o sistema digital integrado de comércio exterior do governo chinês. O encontro político serviu para dar o aval diplomático necessário para que as compras sejam efetivamente autorizadas.
Desafios comerciais e o novo teto para a carne bovinaApesar do otimismo que envolve as negociações, o setor de carne bovina — que concentra o maior número de unidades na lista enviada — observa o cenário com uma dose de cautela. Essa moderação se justifica pela recente implementação de cotas de importação para a proteína bovina, adotada pela administração de Pequim a partir deste ano.
Lideranças do setor produtivo mantêm a expectativa de que o sinal verde para os novos estabelecimentos aconteça ainda em 2026. No entanto, o mercado trabalha com o entendimento de que novos credenciamentos podem gerar, em contrapartida, a deslistagem ou suspensão temporária de plantas brasileiras que já operam no fluxo comercial atual, exigindo máxima eficiência das indústrias nacionais.
Mapeamento das empresas que aguardam o aval de PequimA listagem entregue pelo Ministério da Agricultura abrange desde marcas com forte capilaridade regional até gigantes globais de alimentos. O documento destaca, por exemplo, a inclusão de três plantas da Minerva e duas unidades da Masterboi.
Confira os frigoríficos que compõem o pedido oficializada pelo governo brasileiro:
O movimento diplomático do Brasil ganha contornos de urgência diante da movimentação de outros grandes competidores globais. Recentemente, a China estendeu e renovou as licenças de exportação de 402 plantas frigoríficas localizadas nos Estados Unidos, além de conceder autorização imediata para 77 novas unidades norte-americanas, elevando o nível de concorrência no mercado asiático.
Ainda assim, o clima entre os industriais brasileiros é de confiança. Sob anonimato, o proprietário de uma das marcas listadas pelo Ministério afirmou que o sinal verde de Pequim representará uma verdadeira “virada de chave” operacional. O otimismo é amparado pela alta rentabilidade e o apetite de compra do mercado chinês. Muitos dos players que integram a lista atualizam auditorias e renovam certidões burocráticas desde 2018, enxergando este momento como a reta final de uma longa espera comercial.





