O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deu um passo decisivo para abrir um mercado altamente rentável e estratégico para a suinocultura brasileira. Em reunião bilateral realizada nesta terça-feira (19), em Pequim, o ministro André de Paula e a ministra da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC), Sun Meijun, confirmaram o fechamento dos entendimentos técnicos para o protocolo revisado de comércio de carne suína, que agora passa a incluir formalmente os miúdos suínos.
A inclusão de miúdos (como orelhas, pés, focinho e coração) na pauta exportadora é uma demanda histórica do setor produtivo nacional. No mercado asiático, esses subprodutos possuem alto valor agregado e forte demanda gastronômica, enquanto no Brasil o consumo interno é tradicionalmente baixo. A formalização oficial do tratado deve ocorrer em breve.
"Trata-se de um resultado positivo do diálogo técnico e da cooperação construídos entre nossas instituições ao longo dos últimos anos. Esse avanço representa uma importante conquista sanitária e comercial para ambos os países e reflete o elevado nível de confiança entre Brasil e China", celebrou o ministro André de Paula.
A China se consolidou de forma isolada como o principal destino do agronegócio brasileiro. Segundo os dados revelados pela ministra Sun Meijun durante o encontro, o mercado chinês importou US$ 51,4 bilhões em produtos agrícolas do Brasil no ano passado, montante que abocanha cerca de 50% de todo o intercâmbio comercial mantido entre as duas nações.
Além do avanço histórico no setor de suínos, a missão oficial liderada pelo Mapa trouxe duas conquistas imediatas para a pecuária de corte nacional:
O ministro brasileiro reforçou a posição do país como um fornecedor confiável, capaz de entregar alimentos seguros sob rigorosos padrões ambientais e sanitários, mas lembrou que a relação comercial é uma via de mão dupla essencial para a nossa produção. "Reconhecemos a China como parceira estratégica fundamental, inclusive no fornecimento de insumos essenciais à nossa produção agrícola", pontuou André de Paula, fazendo referência a fertilizantes e defensivos.
A equipe aduaneira da China sinalizou que, embora o país possua uma forte produção interna, o mercado de consumo local é gigantesco e continuará de portas abertas para alimentos importados de alta qualidade. Com os termos técnicos definidos, o Mapa agora começará a orientar as agroindústrias brasileiras a prepararem suas linhas de produção para atender às exigências de quarentena da GACC assim que o protocolo for assinado.





