• Quarta-feira, 18 de março de 2026

Carrapato no gado: raça pode definir infestação e prejuízo na fazenda

Diferenças entre Bos taurus, Bos indicus e cruzamentos impactam diretamente a infestação de carrapato no gado e exigem controle sanitário adaptado ao perfil do rebanho

Diferenças entre Bos taurus, Bos indicus e cruzamentos impactam diretamente a infestação de carrapato no gado e exigem controle sanitário adaptado ao perfil do rebanho A escolha da raça bovina vai muito além do desempenho produtivo. Ela influencia diretamente a resistência aos carrapatos, um dos principais desafios sanitários da pecuária brasileira. Em um cenário de clima favorável ao parasita e pressão crescente nas propriedades, entender o papel da genética no controle da infestação se tornou uma decisão estratégica para o produtor. Dados técnicos amplamente difundidos pela Embrapa mostram que bovinos de origem europeia (Bos taurus) apresentam maior predisposição à infestação por Rhipicephalus microplus, o principal ectoparasita que afeta o rebanho nacional. Em algumas regiões, estima-se que mais de 90% da carga parasitária esteja concentrada em animais com maior proporção genética europeia.
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  • Por outro lado, os zebuínos (Bos indicus), como o Nelore — base da pecuária brasileira —, apresentam maior resistência natural ao carrapato, conforme dados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Essa diferença é determinante para o manejo sanitário e os custos de produção. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Características físicas e imunológicas explicam a diferença da infestação do carrapato no gado A maior resistência dos zebuínos não é por acaso. Ela está ligada a um conjunto de fatores biológicos que dificultam o desenvolvimento do parasita. Entre os principais pontos estão: • Pele mais espessa, que dificulta a fixação do carrapato
    • Pelagem com características menos favoráveis ao parasita
    • Maior resposta inflamatória no local da picada
    • Comportamento mais ativo de defesa, como movimentos e coceiras frequentesJá os bovinos europeus, amplamente utilizados em sistemas intensivos e na produção de carne premium, apresentam pele mais fina e menor resistência natural, criando um ambiente mais favorável para a alimentação e reprodução do carrapato. Raças europeias apresentam maior predisposição à infestação, enquanto zebuínos e cruzados exigem controle adaptado ao perfil genético Cruzamentos industriais: equilíbrio entre produtividade e rusticidade Nos últimos anos, os cruzamentos industriais — especialmente entre Angus e Nelore — ganharam espaço como estratégia para unir ganho de desempenho produtivo com maior rusticidade. No entanto, segundo o especialista Fernando Dambrós, gerente de produtos antiparasitários (endo e ecto) da Ourofino Saúde Animal, o cruzamento não elimina o risco sanitário. “ Animais cruzados podem apresentar resistência intermediária, mas continuam expostos à pressão parasitária do ambiente. A genética ajuda, mas não substitui um programa sanitário bem estruturado”, explica. De acordo com o especialista, propriedades com maior presença de sangue europeu tendem a registrar infestações mais intensas e necessidade de monitoramento mais frequente, especialmente em períodos de calor e umidade elevados. Resistência genética não significa imunidade Mesmo em rebanhos predominantemente zebuínos, é um erro comum acreditar que o problema está resolvido. A resistência natural não impede a infestação, principalmente em cenários de alta pressão parasitária. Os impactos são diretos na produtividade: • Redução no ganho de peso
    • Queda na produção de leite
    • Aumento dos custos com manejo e medicamentos Além disso, o carrapato é vetor da Tristeza Parasitária Bovina (TPB), doença que pode causar perdas severas e até mortalidade no rebanho. “ Quando o produtor subestima o risco por trabalhar com zebu ou cruzado, pode enfrentar surtos inesperados”, alerta Dambrós. Uso incorreto de produtos agrava o problema do carrapato no gado Outro fator crítico é a resistência dos carrapatos aos princípios ativos. Aplicações inadequadas, intervalos incorretos e uso sem orientação técnica favorecem a seleção de parasitas resistentes, tornando o controle cada vez mais difícil. Esse cenário reforça a necessidade de um manejo integrado, que considere: • Rotação de princípios ativos
    • Monitoramento constante da infestação
    • Ajuste do protocolo conforme clima e categoria animal
    • Adequação ao perfil genético do rebanho Dentro dessa realidade, a Ourofino Saúde Animal destaca o NexLaner, ectoparasiticida à base de fluralaner desenvolvido no Brasil, como uma alternativa tecnológica para ampliar a eficiência dos programas de controle. Produtividade e sanidade precisam caminhar juntas A evolução genética do rebanho brasileiro é um dos principais pilares da competitividade da pecuária nacional. No entanto, especialistas reforçam que ganho produtivo sem controle sanitário eficiente compromete resultados no médio e longo prazo.
    Por: Redação

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