A manifestação convocada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) neste domingo (25.jan.2026) na Praça do Cruzeiro, em Brasília, reuniu 18.000 pessoas, segundo cálculo do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap em parceria com a ONG More in Common. O levantamento utilizou imagens aéreas analisadas por inteligência artificial, com margem de erro de 12 pontos percentuais. Leia a íntegra (PDF – 2 MB).
O cálculo indica um público, no momento de pico, de 15.100 a 20.100 participantes.
O deputado chegou a Brasília neste domingo (25.jan.) depois de percorrer cerca de 240 km. A “Caminhada pela Liberdade”, teve início na 2ª feira (19.jan) em Paracatu (MG). O congressista partiu de uma localidade próxima à divisa entre Minas Gerais e Goiás.
Veja onde foi o ato:

Dezenas de manifestantes que aguardavam a chegada do deputado ao local ficaram feridas depois de terem sido atingidas por um raio. Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, 72 vítimas foram atendidas no local, sendo que 42 estavam estáveis, conscientes e orientadas.
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A caminhada começou em Paracatu em 19 de janeiro, passando por trechos de Minas Gerais e Goiás até chegar à capital federal. O grupo também defende a derrubada dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto da dosimetria, que poderia reduzir as penas de Bolsonaro e outros condenados pelos eventos do 8 de Janeiro.
Durante 7 dias, os participantes caminharam com acompanhamento de forças de segurança. Segundo Nikolas, o percurso teve caráter simbólico para mobilizar apoiadores contra o que ele considera decisões judiciais injustas relacionadas à prisão do ex-presidente.
Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apoiaram a iniciativa, mas não compareceram ao ato final. A ex-primeira-dama participou apenas de um momento de oração com Nikolas na manhã deste domingo.
Por medida de cautela, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) cercou o Palácio do Planalto com grades. A manifestação contou com reforço do policiamento do Distrito Federal.
Na semana anterior, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), proibiu protestos em frente ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde Bolsonaro está detido, autorizando a retirada imediata de manifestantes que descumprissem a determinação.
Ao todo, a USP fez 24 imagens durante o ato. Foram tiradas fotos em 2 diferentes horários (10h45 e 15h15).
Para o cálculo, os pesquisadores selecionaram 7 fotos tiradas às 15h15, horário identificado como o pico de público. As imagens cobriram toda a extensão da manifestação, sem sobreposição.
O material foi analisado pelo método P2PNet (Point to Point Network), desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Chequião (China) e da empresa Tencent. A tecnologia, baseada em inteligência artificial, identifica automaticamente as cabeças das pessoas nas fotos e contabiliza cada ponto, garantindo maior precisão mesmo em áreas de grande densidade.
Segundo os organizadores, o sistema atinge atualmente 72,9% de precisão e 69,5% de acurácia, o que resulta em um erro médio absoluto de 12%. Isso significa que, em um cálculo de 100 mil pessoas, o número real pode variar de 88.000 a 112.000. Para dar transparência, o banco de imagens está disponível publicamente, permitindo que qualquer cidadão valide os dados ou realize uma contagem manual.





