• Terça-feira, 14 de abril de 2026

Café mineiro sustentável conquista Europa e EUA com apoio de R$ 1,6 bilhão do BDMG

Por meio da sustentabilidade, com a agricultura regenerativa, cafeicultores do estado celebram mercados internacionais

No Dia Mundial do Café, celebrado nesta terça-feira (14), a cafeicultura mineira comemora não apenas a liderança em volume, mas a conquista de mercados internacionais exigentes por meio da sustentabilidade. O avanço tem sido sustentado pelo acesso ao crédito.

Nos últimos cinco anos, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) liberou mais de R$ 1,6 bilhão em financiamentos para o setor, fortalecendo a transição para práticas regenerativas no campo.

Com quatro décadas de tradição na cafeicultura em Patrocínio, no Alto Paranaíba, o produtor Lázaro Ribeiro de Oliveira tornou-se um símbolo da modernização no campo. Nos últimos cinco anos, ele substituiu o manejo convencional pelo modelo regenerativo, investindo em técnicas como a cobertura do solo, o uso de defensivos biológicos e a adubação orgânica feita a partir dos próprios resíduos do processamento do grão.

O resultado da Fazenda Congonhas Estate Coffee foi a conquista de certificações internacionais e a abertura de portas na Europa e na América do Norte. "O solo melhorou e passou a reter mais umidade. O café ganha em qualidade e é mais bem visto no mercado", afirmou Lázaro. A propriedade, que começou com 40 hectares, hoje possui 300 hectares sob manejo regenerativo, produzindo variedades de café arábica como o procurado bourbon amarelo.

O suporte financeiro tem sido o motor dessa modernização. A maior parte do recurso destinado pelo BDMG provém da linha Funcafé, exclusiva para o setor, mas a instituição também tem ampliado o apoio por meio do programa BDMG LabAgrominas. A iniciativa foca especificamente em parcerias com cooperativas para financiar a transição sustentável.

Para Gabriel Viégas Neto, presidente do BDMG, o investimento é estratégico para manter a competitividade do estado. "Os cafeicultores mineiros são referência e têm adotado técnicas que elevam o padrão de qualidade dos grãos. Queremos ampliar esses financiamentos cada vez mais", destacou.

Outro destaque na Região de Patrocínio é a Bom Jardim Estate Coffee, que integra a Rota do Café. Com o apoio do banco, a fazenda investiu em adubo organomineral e plantas de cobertura, operando hoje em uma área 100% irrigada e com colheita mecanizada.

Segundo o CEO Mário Rebehy, o manejo sustentável é um "trabalho em progresso" que agrega valor imediato à marca. Atualmente, toda a colheita da propriedade — que alcança a média de 50 sacas por hectare — é destinada ao mercado externo. Além da produção, a fazenda tornou-se destino de turistas e produtores interessados em conhecer o modelo de origem controlada e as técnicas que estão definindo o futuro do café brasileiro.

Por: Redação

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