• Sexta-feira, 20 de março de 2026

Bezerro dispara e atinge R$ 3.264 – maior nível desde 2021 – com abate recorde de fêmeas

Com 20 milhões de fêmeas abatidas em 2025, Brasil reduz base de matrizes e impulsiona valorização da reposição; Bezerro dispara e atinge maior nível desde 2021 e preços caminham para novos recordes em 2026

Com 20 milhões de fêmeas abatidas em 2025, Brasil reduz base de matrizes e impulsiona valorização da reposição; Bezerro dispara e atinge maior nível desde 2021 e preços caminham para novos recordes em 2026 O mercado pecuário brasileiro vive um momento decisivo, em que os efeitos do ciclo ganham forma clara nos preços. A forte valorização do bezerro em 2026 não é um movimento isolado — ela reflete uma mudança estrutural no rebanho nacional, provocada pelo aumento expressivo no abate de fêmeas nos últimos anos. Dados recentes do IBGE e análises do Cepea mostram que o Brasil entrou em uma fase de redução da base produtiva, o que já começa a impactar diretamente a oferta de animais de reposição. O resultado é um mercado firme, com preços em alta e expectativa de continuidade desse movimento ao longo do ano.
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  • Preço do bezerro atinge maior patamar em quase 4 anos Levantamento do Cepea aponta que, em Mato Grosso do Sul — principal referência do Indicador CEPEA/ESALQ — o bezerro nelore de 8 a 12 meses registra: window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});
  • R$ 3.254,37 de média em março/2026 (até dia 17)
  • Alta de 3% em relação a fevereiro/2026
  • Valorização de 24,3% frente a março/2025 (valores reais)
  • Maior média mensal desde junho de 2021
  • Nos dados mais recentes do indicador, o valor já se aproxima de R$ 3.264 por cabeça, reforçando a continuidade da tendência de alta. Esse avanço consolida o bezerro como uma das categorias mais valorizadas da pecuária no atual ciclo. Abate recorde de fêmeas explica a virada do mercado Por trás dessa valorização está um movimento estrutural relevante: o descarte massivo de fêmeas no Brasil. Segundo o IBGE, em 2025 foram abatidas:
  • 13,5 milhões de vacas adultas
  • 6,5 milhões de novilhas
  • Total: 20 milhões de fêmeas abatidas (recorde histórico)
  • Na comparação com 2024:
  • +15,8% no abate de vacas
  • +23,5% no abate de novilhas
  • +3 milhões de cabeças no total, sendo:
    • 1,8 milhão de vacas
    • 1,2 milhão de novilhas
  • Esse movimento marca uma virada importante no ciclo pecuário. Ao aumentar o abate de fêmeas, o sistema reduz o número de matrizes disponíveis para reprodução, comprometendo a produção de bezerros nos próximos anos. Menor oferta já impacta a reposição Pesquisadores do Cepea apontam que a atual valorização do bezerro tem origem direta na redução da base produtiva do rebanho nacional. O aumento no descarte de fêmeas diminui o número de matrizes disponíveis, o que compromete a capacidade de produção nos ciclos seguintes e altera o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado pecuário. Na prática, esse movimento gera impactos imediatos: menos bezerros disponíveis nos próximos ciclos, maior competição entre recriadores e confinadores e pressão altista sobre os preços da reposição. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o mercado segue firme, mesmo em períodos tradicionalmente marcados por maior oferta, reforçando a força estrutural do atual ciclo de alta. Arroba do bezerro confirma tendência de alta A valorização também é evidente quando analisada por arroba — indicador que revela a intensidade real do movimento. Segundo o Farmnews:
  • R$ 480,1/@ na parcial de março (até dia 18)
  • Acima do recorde anterior de fevereiro (R$ 464,3/@)
  • Possibilidade de novo recorde nominal histórico em março
  • Outro ponto importante é que a alta por arroba supera a valorização por cabeça, indicando que o mercado também está negociando animais mais leves. Isso exige atenção do pecuarista, pois pode impactar diretamente o custo real da reposição. Com a valorização do bezerro superando a do boi gordo, a relação de troca volta a se deteriorar e acende um sinal de alerta no campo. Segundo análises recentes do mercado, o ágio da reposição voltou a subir ao longo de março, refletindo um descompasso entre as categorias. No mesmo período, o bezerro acumulou uma alta mais intensa do que o animal pronto para o abate, ampliando a pressão sobre os sistemas produtivos que dependem da compra de reposição. Na prática, esse movimento impacta diretamente a rentabilidade da atividade. O pecuarista passa a precisar de um maior número de arrobas de boi gordo para adquirir o mesmo bezerro, o que reduz margens e exige decisões mais estratégicas. Diante desse cenário, planejamento, gestão de custos e timing de compra ganham ainda mais importância para manter a viabilidade econômica da operação. O que esperar daqui para frente? O cenário indica continuidade da firmeza, mas com possíveis ajustes ao longo do ano:
  • Curto prazo: possível estabilidade entre abril e setembro (efeito safra e pastagens)
  • Médio prazo: preços sustentados pela menor oferta estrutural
  • Longo prazo: manutenção do ciclo de alta, caso o abate de fêmeas siga elevado
  • Um novo ciclo está em curso Mais do que uma alta pontual, o que se observa é uma mudança profunda na pecuária brasileira. O abate recorde de fêmeas em 2025 reduz a capacidade de produção futura e reposiciona o mercado, criando um ambiente de escassez relativa de bezerros.
    Por: Redação

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