É cedo para falar em empolgação, mas é nítida a evolução do Atlético nos últimos quatro jogos. Até mesmo na derrota para o Fluminense, por 1 a 0, o time apresentou bom desempenho. Claro que a margem para evolução ainda é grande, mas já é possível dizer que o trabalho do técnico Eduardo Domínguez começa a surtir efeito. A seguir, listo cinco mudanças evidentes desde a chegada do “Barba”.
O técnico atleticano colocou o dedo na ferida após a perda do título mineiro para o Cruzeiro. Na coletiva de imprensa, mandou um recado direto aos jogadores: “quem não correr não vai jogar. Eles correram mais”, afirmou o argentino após a derrota.
Depois de oito jogos sob seu comando, é perceptível o quanto o time tem corrido mais. A entrega é um fator inegociável para a torcida atleticana, e o “Barba” conseguiu resgatar a essência do Galo brigador.
Para ilustrar, o Atlético havia cometido uma média de 9,5 faltas por partida nas quatro primeiras rodadas do Brasileiro. Nos seis jogos seguintes, já sob o comando do novo treinador, a média subiu para 12,3.
Antes da chegada de Domínguez, o Atlético havia sofrido oito gols nas quatro primeiras rodadas do Brasileirão — uma média de dois por partida. Com o argentino à frente, o time levou apenas quatro gols em seis jogos pela competição nacional, com média inferior a um por partida.
Com a mudança de postura, Eduardo começou a ajustar a equipe a partir do sistema defensivo. O Atlético deixou de ser tão exposto e passou a proteger melhor sua zaga, que anteriormente sofria com constantes situações de mano a mano contra os atacantes adversários.
O Atlético não é um time que faz questão de ter a posse de bola. Se o antecessor Sampaoli tinha como lema “amor por el balón”, o “Barba” prioriza um jogo mais vertical.
“Não queremos uma posse de bola por tê-la, mas sim para machucar o rival, para chegar com força à área adversária”, disse o treinador em coletiva após a vitória por 2 a 1 sobre o Athletico-PR.
A ideia de Domínguez é clara: recuperar a bola e acelerar o jogo.
Nos seis jogos em que comandou o Galo no Brasileiro, o Atlético só teve maior posse em duas partidas — na derrota contra o Vitória e na goleada sobre a Chapecoense.
Números de posse de bola:
Na coletiva de apresentação, o treinador destacou a importância de Hulk para o elenco e sinalizou que buscaria um parceiro de ataque para potencializar o desempenho do camisa 7.
“(Vou potencializar) colocando jogadores perto dele. Sabemos as características do nosso centroavante e o quanto ele é importante. Não só para a nossa equipe, mas para o futebol local”, afirmou no dia 27 de fevereiro.
Nos oito jogos de Domínguez pelo Atlético, Hulk foi titular em sete. Na maioria das vezes, atuou ao lado de Reinier ou Cassierra, formando uma dupla de ataque.
É verdade que o camisa 7 ainda não marcou nesse período, mas já contribuiu com duas assistências e tem participado mais do jogo. Hulk deixou de ser apenas uma referência fixa e passou a atuar com mais liberdade, circulando pelo campo ofensivo.
Para um bom treinador, não basta apenas entender de tática. É fundamental também saber gerir o grupo e transmitir suas ideias com clareza.
No futebol, é impossível agradar a um elenco com cerca de 30 jogadores. Ainda assim, as informações são de que o técnico argentino tem conquistado, gradualmente, o respeito e a admiração do grupo.
É o perfil de quem cobra, mas também acolhe. Um líder que equilibra exigência e lealdade — e que entende que um ambiente saudável é essencial para o sucesso de qualquer equipe.





