Alerta no campo: Cervo exótico invade o Brasil e pode se tornar praga como o Javali
A aparição de bandos de cervos asiáticos no Sul acende o sinal vermelho no agronegócio; especialistas temem prejuízos sanitários e competição por pasto similar ao caos gerado pelos javalis.
A aparição de bandos de cervos asiáticos no Sul acende o sinal vermelho no agronegócio; especialistas temem prejuízos sanitários e competição por pasto similar ao caos gerado pelos javalis. A tranquilidade das porteiras para dentro enfrenta um novo desafio no Sul do Brasil. Enquanto o produtor rural ainda luta para controlar a população de javalis, um novo Cervo exótico (Axis axis) começa a ganhar território e gerar preocupação. Diferente dos animais nativos, essa espécie invasora anda em grandes bandos e possui alto potencial reprodutivo, levantando o temor de que se torne a próxima grande praga a assolar as pastagens nacionais. Conhecido popularmente como cervo-chital ou cervo-axis, este Cervo exótico é originário da Ásia e inconfundível por sua pelagem castanha repleta de pintas brancas. O que parece um animal inofensivo aos olhos de leigos, para a ciência e para o campo, representa um desequilíbrio ecológico iminente. Ao contrário do veado-campeiro nativo, que é solitário, o Axis axis compete diretamente com o gado por alimento, consumindo pastagens em ritmo acelerado devido ao seu comportamento gregário.
A rota da invasão do Cervo exótico na América do Sul A presença deste animal em solo brasileiro não é obra do acaso. A introdução do Cervo exótico na América do Sul está historicamente ligada a propriedades de caça na Argentina e no Uruguai. Com a ausência de predadores naturais que controlem sua população, a espécie se multiplicou e começou a cruzar as fronteiras naturais em busca de novos territórios e comida. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});No Brasil, o Rio Grande do Sul foi a porta de entrada, com registros iniciais no Parque Estadual do Espinilho. Contudo, a situação se agravou recentemente. Casos como o de Passo Fundo (RS), onde um animal invadiu uma escola municipal, e registros no Alto Vale do Itajaí (SC), provam que a invasão já superou as áreas rurais isoladas e atinge zonas urbanas, aumentando os riscos de acidentes e transmissão de doenças. Javali vs Cervo exótico: O dilema da legislação Foto: Animal Diversity Web/Reprodução)A comparação com o Javali (Sus scrofa) é a principal ferramenta de alerta para o produtor, mas há uma diferença jurídica perigosa. Enquanto o Javali é declarado nocivo e possui normativas federais que permitem o controle populacional (caça de manejo) de forma mais ampla, o Cervo exótico vive em um “limbo” burocrático em muitas regiões. O Rio Grande do Sul avançou com a publicação da Portaria SEMA nº 109/2022, que estabelece regras para o controle da espécie dentro de unidades de conservação estaduais. No entanto, faltam dados científicos consolidados e um censo oficial que permita ações mais enérgicas em nível nacional. O produtor rural deve estar atento a três fatores de risco principais:
Sanitário: O cervo pode ser hospedeiro de parasitas e doenças que afetam bovinos.
Econômico: A competição por pasto reduz a capacidade de suporte das áreas de criação.
Ambiental: Agressão à flora nativa e deslocamento de espécies brasileiras.
Mitos e verdades sobre a origem Nas redes sociais, circulam boatos associando o surgimento do animal a experimentos secretos ou solturas feitas por “cientistas da NASA”. É importante esclarecer que não existe qualquer registro público ou oficial que ligue a agência espacial norte-americana à presença do Cervo exótico no Brasil. O problema é estritamente biológico, decorrente da importação humana para caça esportiva em países vizinhos e a subsequente dispersão natural.
Sem um plano de manejo robusto e ágil, o Brasil corre o risco de ver a história do Javali se repetir, desta vez com uma “face mais bonita”, mas com potencial de prejuízo igualmente devastador. VEJA MAIS:
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Por: Redação
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