Durante participação no Eloos Itatiaia Agro, que se encerra nesta segunda-feira (1º), o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Alexandre Lacerda, afirmou que a pecuária leiteira brasileira enfrenta desafios que vão desde a concorrência internacional considerada desleal até a escassez de mão de obra qualificada no campo.
Ao comentar a falta de profissionais capacitados em um cenário marcado pelo avanço da tecnologia e da inteligência artificial, Lacerda abriu sua fala defendendo a adoção de medidas mais rigorosas contra o dumping no setor leiteiro. Segundo ele, produtores brasileiros têm sido prejudicados pela entrada de produtos de países vizinhos, especialmente Argentina e Uruguai.
"O dumping existe e já foi reconhecido. O que falta são as medidas previstas na legislação para proteger os produtores brasileiros da concorrência desleal", afirmou. O dirigente criticou a ausência de ações mais efetivas por parte do governo federal, mesmo após o reconhecimento formal da prática. Para ele, há uma preocupação excessiva com possíveis impactos diplomáticos e econômicos, enquanto os produtores nacionais seguem acumulando prejuízos.
"Não podemos continuar favorecendo produtores argentinos e uruguaios em detrimento dos produtores brasileiros. Está faltando respeito ao agro, a quem produz e trabalha. O agro é que sustenta esse país, nós precisamos veementemente combater esse tipo de atitude", declarou.
Ao retornar ao tema da qualificação profissional, Lacerda apontou a sucessão familiar como uma das principais preocupações do setor agropecuário. Segundo ele, a permanência de jovens no campo é fundamental para garantir a continuidade da produção leiteira nos próximos anos. Nesse contexto, anunciou iniciativas da entidade voltadas à inclusão e formação de novos públicos no agronegócio, como os programas "Girolando Mulher" e "Girolando Jovem".
"A família precisa estar no agro. É um incentivo aos jovens e às mulheres para que participem da produção leiteira, uma atividade que gera renda, riqueza e alimentos para o país", afirmou. O presidente também destacou o papel da educação na transformação econômica e social do Brasil. Para ele, ampliar o acesso à capacitação técnica e ao conhecimento é essencial para tornar o campo mais atrativo e produtivo.
"Precisamos desenvolver as pessoas. É com educação que este país vai se tornar um país rico. Temos que combater a pobreza por meio da educação", concluiu.





