Presentes comuns na lista de crianças e adolescentes nos Estados Unidos ficaram mais caros antes da temporada de compras de fim de ano. Instrumentos musicais, equipamentos esportivos, materiais de arte e consoles enfrentam tarifas mais altas e queda nas importações, segundo análise de Cullen S. Hendrix, pesquisador sênior do Peterson Institute for International Economics.

Os produtos dependem em grande parte de fabricação estrangeira, especialmente nos modelos básicos comprados por famílias e escolas. Em comparação com a temporada de festas de 2024, os dados citados por Hendrix mostram aumento dos custos e menor entrada de mercadorias no país.

Taxas subiram após 2025

Entre setembro e dezembro de 2024, a alíquota tarifária efetiva era de 5,6% para equipamentos esportivos, 5% para lápis e giz de cera e 5,7% para instrumentos musicais. Na temporada de festas de 2025, os percentuais avançaram para 27,7%, 26,6% e 21,2%, respectivamente.

Até agosto de 2026, houve redução parcial após a Suprema Corte derrubar algumas tarifas, mas as taxas ainda permaneciam em 17,2% para equipamentos esportivos, 16,1% para lápis e giz de cera e 14,1% para instrumentos.

O movimento afetou também os videogames. A alíquota sobre consoles e máquinas do segmento passou de zero na temporada de 2024 para 19,7% em 2025. Os direitos calculados sobre esses produtos subiram de nada para US$ 508 milhões.

Importações e preços

As importações de todos os países caíram 24% para instrumentos musicais e 17% tanto para equipamentos esportivos quanto para lápis e giz de cera na temporada de festas de 2025, em relação ao ano anterior.

No caso dos consoles, as compras externas aumentaram no início de 2025, quando importadores se anteciparam às tarifas e a Nintendo lançou o Switch 2. Depois, recuaram 33% na temporada de festas daquele ano. Até agosto de 2026, estavam 10% abaixo do nível de 2024.

Apesar da redução parcial das taxas, os preços dos três grupos subiram em 2026 na comparação com 2025 e avançaram mais rapidamente que os preços dos bens básicos, excluindo alimentos e energia, desde 2024. Os instrumentos musicais tiveram alta de 9,1% em dois anos, contra 2,3% dos bens básicos.

Hendrix atribui a diferença a três fatores: a formação de estoques antes da entrada das tarifas mais altas, a tendência de os preços subirem mais rapidamente do que recuarem e a inflação subjacente. Segundo a análise, os preços ao consumidor do núcleo aumentaram 5,7% nos dois anos considerados.

Impacto sobre iniciantes e escolas

Na avaliação do pesquisador, os produtos importados mais baratos não competem necessariamente com a fabricação americana de maior qualidade. Eles podem funcionar como porta de entrada para consumidores que depois compram itens mais sofisticados produzidos nos Estados Unidos.

A redução das importações também afeta escolas e programas de música, arte e esportes, que trabalham com orçamentos fixos. Para estudantes de baixa renda, esses projetos podem ser o principal acesso a instrumentos, materiais e equipamentos.

O artigo afirma que as tarifas não produziram, até o momento, o aumento esperado na produção industrial americana em emprego ou construção. Para Hendrix, o encarecimento dos itens básicos reduz o acesso a atividades fora das telas e pode diminuir a formação de futuros consumidores e praticantes de música, arte e esportes.

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