Cerca de 5 mil pessoas participaram neste sábado (31) de uma manifestação juvenil no Portão de Brandemburgo, em Berlim, segundo a polícia. Os organizadores da iniciativa “Gen Z regelt” afirmaram à tarde que o público chegou a 11 mil participantes.
O ato começou às 14h e reuniu reivindicações por mais investimentos em educação, proteção climática e moradia acessível, além da oposição ao rearmamento e ao serviço militar obrigatório. Até as 17h, a polícia informou que a manifestação permanecia pacífica.
Bandeiras palestinas, lenços palestinos e faixas sobre a guerra em Gaza apareceram com destaque entre os participantes. Parte dos cartazes relacionava os gastos militares à falta de recursos para escolas, hospitais, abrigos para mulheres e outras políticas sociais. Algumas mensagens acusavam a Alemanha de responsabilidade pela produção e venda de armas utilizadas no conflito.
Grupos de esquerda participaram do ato
Representantes de organizações da esquerda radical também estiveram presentes, entre elas a Linksjugend [‘solid] e a “Revolutionäre Linke”. A primeira, ligada à juventude do partido A Esquerda, é alvo de críticas por resoluções consideradas anti-Israel e por acusações de antissemitismo, segundo o material publicado pela Euronews. A organização “Jugend für Sozialismus”, criada em 2023 por integrantes de uma frente da “Revolutionäre Linke”, defendeu mais recursos para hospitais e outras áreas sociais, em vez de verbas para as Forças Armadas alemãs.
A polícia de Berlim havia informado, dois dias antes do protesto, que grupos individuais do espectro político de esquerda estavam tentando aproveitar a mobilização inspirada por manifestações na França. Ao mesmo tempo, a corporação disse não haver evidências confiáveis de influência ou controle extremista direcionado sobre o movimento.
Já o Departamento do Interior e do Esporte do Senado de Berlim afirmou que setores da extrema esquerda e de grupos extremistas ligados a pautas estrangeiras também estavam convocando o ato. Segundo a avaliação do órgão, a participação poderia servir para cooptar e radicalizar a mobilização.
Organização enfrentou desistências
A iniciativa responsável pelo protesto havia perdido apoiadores antes da manifestação. O ex-porta-voz Gianni Matheja deixou o grupo por divergências internas e dúvidas sobre a manutenção do caráter pacífico do ato. Os apoiadores berlinenses Max Schneller e Battal Yali também se retiraram, citando falta de transparência, responsabilidades pouco claras e questionamentos sobre a organização e o financiamento.
Apesar dos conflitos, a “Gen Z regelt” reafirmou que as manifestações estudantis planejadas para o país seriam pacíficas. A iniciativa também se distanciou de um segundo protesto previsto para a noite em Rosenthaler Platz, que tinha estimativa inicial de 400 a 500 pessoas e era promovido, segundo as autoridades, por setores da esquerda e do espectro extremista.
Antes do ato, a Euronews relatou ameaças publicadas em um grupo privado do Telegram, incluindo menções a violência, ataques a sinagogas, saques e incêndios. As ameaças foram atribuídas a usuários do grupo e não representam, segundo as informações disponíveis, uma posição dos organizadores da manifestação no Portão de Brandemburgo.
