Renomada autora brasileira, em julho, tornando-se a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na instituição. Para ela, a escolha representa um passo importante da Academia rumo à inclusão e marca também a missão de abrir caminho para novas vozes entre os imortais.
Em Brasília, a escritora participou do, programa cultural que incentiva a leitura por meio de encontros com escritores e jornalistas. No evento, ela dividiu a mesa com o autor Valter Hugo Mãe, e ambos concederam entrevista ao Metrópoles.
Durante a conversa, Ana Maria falou sobre a responsabilidade de assumir o posto e destacou o que espera da ABL a partir de agora: “Eu quero muito que isso seja um aceno da ABL no sentido de ter entendido que uma falta de diversidade lá dentro é um afastamento do povo, que na verdade é o verdadeiro dono do que ela guarda lá dentro, que é a língua brasileira.”
Veja a entrevista
Na conversa, ao lado do escritor Valter Hugo Mãe — nascido em Angola e radicado em Portugal —, Ana Maria fez um comentário bem-humorado sobre a fala anterior, quando mencionou a “língua brasileira”. Rindo com ele, explicou que se referia ao português e ao “pretoguês”, conceito criado pela autora e antropóloga Lélia González.
Em seguida, reforçou a responsabilidade de ampliar a representatividade na ABL: “Falta diversidade lá dentro, faltam mulheres, faltam indígenas, faltam pessoas negras. Uma das minhas missões é trabalhar para que eu não seja a única mulher negra, mas para que tenhamos muitos mais negros e indígenas ocupando esse espaço também”, destacou.
Valter Hugo Mãe, por sua vez, ressaltou a importância da eleição de Ana Maria. “A entrada da Ana Maria Gonçalves para a Academia Brasileira de Letras faz com que nós todos, enquanto leitores, sejamos uma mulher negra dentro da Academia. A presença dela representa um mundo de leitores que já existe e que não estava representado. Por isso, de alguma forma, eu exijo ser uma mulher negra dentro da ABL, porque eu li Ana Maria Gonçalves”, brincou.

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1 de 4 Ela é a primeira mulher negra a integrar a ABL
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2 de 4 Ana Maria Gonçalves
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3 de 4 Ana Maria Gonçalves Divulgação
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4 de 4 Um Defeito de Cor inspirou desfile da Portela Reprodução
Adaptação de Um Defeito de Cor
Durante o bate papo, a escritora também revelou o desejo de ver a obra mais famosa dela, Um Defeito de Cor (Ed. Record) ser adaptada para o audiovisual. Os direitos de adaptação do livro, lançado em 2006, estavam com o grupo Globo há cerca de 10 anos. Em 2024, eles revelaram que não dariam sequência na produção.
Segundo a autora, o fato da história ter sido tema de enredo da Portela, no Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro em 2024, ajudou na visão que ela tem de ver a história adaptada. “Estou trabalhando para isso agora porque eu acho que existem outras formas de contar a mesma história”, contou.
Ana Maria citou o teatro como uma das opções mais ressaltou que deseja ver o projeto em formato audiovisual. “Eu acho que o audiovisual vai fazer com que essa história alcance gente que a literatura não alcança, então é uma missão também”, pontuou.
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