O presidente da China Xi Jinping desembarcou, nesta segunda-feira (8), para uma visita oficial à Coreia do Norte. É a primeira visita dele ao país desde 2019. A viagem marca uma aproximação entre as nações, com o líder chinês afirmando ter uma "posição firme em relação à amizade com o governo norte-coreano", apontando estar "pronto para trabalhar com Kim Joung-Un".
Pequim afirma que o encontro entre os líderes tratou da relação bilateral e de temas compartilhados. "Troca de pontos de vista sobre as relações bilaterais e temas de interesse comum", afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning.
Xi desembarcou em Pyongyang ao meio-dia no horário local (meia-noite em Brasília). O líder chinês se reuniu com Kim Jong-Un e defendeu uma parceira maior entre as duas nações. A mídia estatal chinesa divulgou que a "relação entre os dois países estão em um novo ponto de partida histórico".
Antes mesmo da viagem, Xi Jinping reforçou a aliança entre Pequim e Pyongyang em um texto publicado na imprensa estatal norte-coreana. "Não importa como os tempos mudam ou como a situação internacional evolui, a tradicional amizade entre China e Coreia do Norte se manterá sempre invencível", escreveu o presidente chinês em artigo no jornal Rodong Sinmun.
A visita acontece em meio ao impasse nas negociações sobre o programa nuclear norte-coreano, com o diálogo entre Washington e Pyongyang, sobre o tema, travado. Analistas apontam que a China está mais inclinada a preservar a estabilidade regional do que aumentar a pressão por desnuclearização.
Por isso, o pesquisador Seong-Hyon Lee, especialista do Centro Asiático da Universidade de Harvard, afirmou à Agence France-Presse (AFP) que a estratégia chinesa passa por manter a Coreia do Norte como peça de contenção na região. "A estratégia regional da China se beneficia de um Estado-tampão estável, fortemente armado e alinhado, que absorve a capacidade militar dos Estados Unidos e seus aliados", disse.
Enquanto isso, o presidente da sul-coreano, Lee Jae Myung, defendeu manter a mesa de desnuclearização da Coreia do Norte. "Não devemos desistir da meta da desnuclearização, porque nós mesmos não podemos buscar ter armamento nuclear", declarou em entrevista coletiva.
A viagem marca a primeira saída internacional de Xi Jinping em 2026, após semanas de agenda intensa em Pequim. O líder chinês recebeu recentemente em Pequim o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu homólogo russo, Vladimir Putin.





