• Terça-feira, 12 de maio de 2026

Vendas no varejo brasileiro caem 3% em abril; é o pior resultado em um ano, diz Cielo

Resultado reflete uma perda de fôlego no consumo das famílias, pressionado pela inflação mais alta e pelo maior comprometimento da renda

As vendas no varejo brasileiro registraram uma queda de 3% em abril na comparação anual, marcando o desempenho mais fraco do setor desde março de 2025, quando o recuo foi de 3,8%, de acordo com informações publicadas pela Reuters.

Segundo o Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), divulgado nesta segunda-feira (11) pela empresa de pagamentos controlada pelo Banco do Brasil e Bradesco, o resultado reflete uma perda de fôlego no consumo das famílias, pressionado pela inflação mais alta e pelo maior comprometimento da renda.

A dinâmica do calendário também exerceu influência negativa no período. Diferente de 2025, quando a Páscoa tardia coincidiu com o feriado de Tiradentes e impulsionou setores de lazer e turismo, a celebração deste ano ocorreu no início do mês, o que antecipou as compras sazonais para março e estabeleceu uma base de comparação mais exigente para abril.

Esse cenário afetou especialmente o consumo discricionário e o setor de serviços, que apurou declínio de 5,5% devido à menor movimentação em alimentação fora do lar e recreação.

O levantamento aponta que todas as regiões do país sofreram retração real, lideradas pelo Nordeste, que teve o pior índice com queda de 4,7%. Na sequência aparecem Norte (-3,8%), Sudeste (-3,4%), Sul (-2,7%) e Centro-Oeste (-1,4%).

No recorte por canais de venda, o e-commerce ainda mostrou expansão nominal de 6,5%, enquanto o comércio físico permaneceu praticamente estagnado, com leve alta de 0,2%.

Entre os macrossetores, além da baixa em serviços, o segmento de bens duráveis caiu 4,9%, puxado negativamente pelos setores de vestuário e artigos esportivos. Já os bens não duráveis recuaram 1,6%, com o varejo alimentício especializado sendo prejudicado pela antecipação da Páscoa e os postos de gasolina sentindo a pressão da alta nos preços dos combustíveis.

Para a Cielo, o conjunto desses dados confirma um ambiente macroeconômico mais desafiador para a manutenção do ritmo de consumo no país.

Por: ITATIAIA

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