• Domingo, 5 de abril de 2026

Trump estende prazo para o Irã reabrir estreito de Ormuz

Republicano afirma que prazo será até às 21h da 3ª feira (7.abr); chefe da Casa Branca prorrogou seu ultimato em 33 horas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), definiu um novo prazo para o Irã reabrir o estreito de Ormuz –local por onde escoava cerca de 20% do petróleo global, além de gás natural e ureia. De acordo com o norte-americano, o país persa tem até as 21h da 3ª feira (7.abr.2026), de acordo com o horário de Brasília, para acatar a ordem. Ele já havia prometido, antes de estabelecer o novo prazo, “inferno” ao Irã caso a rota não fosse reaberta.

A princípio, o prazo estabelecido pelo chefe da Casa Branca acabaria na 2ª feira (6.abr), uma vez que a ameaça ao Irã, que contemplava um prazo de 48 horas, havia sido feita no sábado (4.abr), às 11h. O fuso do horário do leste dos EUA –Eastern Time– está 1 hora atrás do de Brasília.

O fechamento do estreito elevou a tensão nos mercados internacionais e pressionou o preço do petróleo, com investidores reagindo ao risco de interrupção prolongada no fornecimento de energia. O canal é considerado um dos pontos mais sensíveis do comércio global, e qualquer bloqueio tende a causar efeitos imediatos sobre combustíveis, transporte e cadeias produtivas.

A escalada se dá em um momento politicamente delicado para o republicano. Ele enfrenta pressão interna às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, as chamadas “midterms”, que serão realizadas em 3 de novembro, em que o controle do Congresso pode ser redefinido e, por consequência, o partido de Trump pode perder força. Crises internacionais costumam influenciar diretamente o humor do eleitorado, sobretudo quando impactam preços de energia e inflação.

A guerra, iniciada em 28 de fevereiro, já soma 1 mês e 8 dias, ou 36 dias, até este domingo (5.abr). Não há sinais claros de desescalada. A retórica tem se intensificado, ampliando a incerteza e o risco de novos desdobramentos militares e econômicos. O Irã já indicou que não pretende ceder às pressões e condiciona qualquer recuo a garantias políticas e de segurança, rejeitando exigências unilaterais e sinalizando que pode manter medidas de retaliação enquanto o impasse persistir.

Desde o início dos ataques conjuntos com Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, Washington tem pressionado aliados e outros países a contribuir com a segurança da navegação no estreito de Ormuz, controlado pelo regime iraniano. A guerra já deixou milhares de mortes e provocou forte instabilidade nos mercados globais.

Trump tem alternado entre ameaças e recuos em relação ao Irã, sendo pressionado e pressionando aliados para resolver a crise no estreito. Em declarações recentes, chegou a afirmar que os países afetados pelo fechamento deveriam buscar seu próprio petróleo e chamou integrantes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) de covardes por não agirem contra o Irã.

Apesar da pressão, líderes europeus sinalizam cautela. Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Holanda, Japão e Canadá afirmaram, em nota conjunta divulgada em 19 de março que pretendem cooperar para garantir a passagem segura na região, mas condicionam qualquer ação ao fim das hostilidades. Com exceção do Japão, todos os demais países que assinam a nota integram a Otan. O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que a medida depende da cessação dos combates.

Por: Poder360

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