• Terça-feira, 2 de junho de 2026

Tarifaço é visto como 'inconsistente' por integrantes do governo federal

Discussão comercial pode ganhar contornos políticos e até influenciar o cenário eleitoral brasileiro, avaliam especialistas

Integrantes do governo federal classificaram como "ideológica" e "inconsistente" a proposta apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. A informação é do colunista Gustavo Uribe, da CNN.

Em documento divulgado na noite desta segunda-feira (1º), o USTR sugeriu a aplicação de uma tarifa de 25% sobre todas as importações provenientes do Brasil, com exceção de mercadorias enquadradas nas categorias sujeitas às chamadas "tarifas de segurança nacional". A decisão final, no entanto, dependerá do presidente dos EUA, Donald Trump.

Diante da iniciativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a intensificarem o diálogo com autoridades norte-americanas na tentativa de evitar a adoção das medidas.

Nos bastidores, porém, diplomatas e assessores do Palácio do Planalto avaliam que a discussão comercial pode ganhar contornos políticos e até influenciar o cenário eleitoral brasileiro. A preocupação é que o governo dos Estados Unidos retome argumentos utilizados anteriormente para justificar barreiras comerciais, incluindo críticas ao sistema de pagamentos Pix.

Segundo integrantes do governo, a estratégia também prevê explorar politicamente o episódio no debate interno. A avaliação é que a proposta tarifária poderá ser utilizada para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional.

Nesse contexto, auxiliares de Lula defendem associar a iniciativa norte-americana à recente viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos. A intenção é apresentar o parlamentar como alguém que atua em favor de interesses externos e contra os interesses do Brasil.

Por: ITATIAIA

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