• Domingo, 24 de maio de 2026

Soja lidera exportações do agro paranaense no primeiro quadrimestre de 2026

Complexo soja movimentou US$ 2,3 bilhões no Paraná e teve alta de 10,6% no quadrimestre

A soja paranaense está se consolidando como o principal produto da agricultura do estado. O dado faz parte do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (21).

Conforme o documento, a soja registrou um excelente desempenho comercial no primeiro quadrimestre de 2026. O complexo soja (que engloba o grão, o farelo e o óleo) teve mais de 5,3 milhões de toneladas embarcadas pelo Paraná no período, representando um incremento de 3,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Esse avanço logístico impulsionou o faturamento do Estado para US$ 2,3 bilhões na balança comercial, um salto de 10,6% na comparação anual. A China absorveu 59% de todo o volume exportado pelo território paranaense.

Dados do Deral apontam que a segunda safra de milho pede atenção devido às variações climáticas recentes. O relatório desta semana apontou uma leve piora nas condições de campo, decorrente das primeiras geadas registradas no Paraná, que provocaram danos pontuais em lavouras localizadas principalmente na região Sul.

O índice de áreas consideradas em "boas condições" recuou de 84% para 82%, enquanto as lavouras em situação regular foram para 13% e as classificadas como "ruins" subiram de 4% para 5% da área total.

“Apesar de alguns produtores relatarem perdas, as condições gerais da produção do Estado como um todo, por enquanto, não sofreram perdas significativas. Isso porque o cultivo está concentrado nas regiões Norte e Oeste paranaenses, onde, ao contrário da região Sul, os efeitos climáticos como o das geadas não aparecem”, explicou o analista do Deral Edmar Gervasio.

A região Norte concentra cerca de 35,7% da área total das lavouras de milho do Estado, pouco mais de 1 milhão de hectares. Já no Oeste paranaense estão aproximadamente 933 mil hectares.

No setor de proteína animal, a pecuária de corte apresentou crescimento de 15% nas exportações nacionais de carne bovina no quadrimestre. Porém, a maior oferta interna de animais para os frigoríficos pressionou as cotações, mantendo a arroba em queda de 2,72% no mês, negociada na média de R$ 343,00 no Paraná.

O boletim aponta a necessidade de atenção com o tempo frio, que afetou as pastagens e ainda pode gerar algum reflexo na precificação por conta do custo ao produtor.

Já para o mercado do frango, o preço nominal médio pago pelo animal vivo ao produtor fechou em R$ 4,62/kg em abril, valor que ficou abaixo do custo médio de produção da ave, estimado em R$ 4,70/kg.

Conforme aponta o boletim, a pressão financeira sobre a atividade decorre da alta recente de insumos básicos da nutrição animal, como o milho no atacado (R$ 63,58 por saca de 60 kg) e o farelo de soja (R$ 1.885,50 por tonelada).

O destaque é para a acerola, que movimentou R$ 13,2 milhões em Valor Bruto da Produção (VBP) no Paraná. A região de Cianorte desponta como o grande polo produtor, sendo responsável por 48% do Valor Bruto da Produção (VBP) da fruta no Estado. Distribuída por 81 municípios e com uma colheita que somou 3,1 mil toneladas em 264 hectares, a cultura tem forte apelo na agricultura familiar.

Segundo o Deral, o cultivo da acerola paranaense se fortalece no mercado de orgânicos e na transformação agroindustrial em polpas, impulsionado por cooperativas e empresas locais que já acessam, inclusive via traders, os mercados internacionais.

Por: ITATIAIA

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