• Sábado, 21 de fevereiro de 2026

Saiba qual é a melhor estratégia para eliminar a gordura no fígado

Especialistas explicam como a resistência à insulina, controle glicêmico e novas terapias metabólicas atuam na esteatose hepática

A gordura no fígado, conhecida como , se tornou um dos problemas mais comuns da atualidade, impulsionado pelo avanço da obesidade, pré-diabetes, diabetes tipo 2 e hábitos alimentares ricos em ultraprocessados. Embora muitos pacientes descubram a condição por meio de exames de rotina, especialistas alertam que a doença pode evoluir silenciosamente e, sem tratamento, progredir para Por isso, entender qual é a melhor estratégia para eliminar a gordura e restaurar a função hepática é essencial. Leia também O ponto central da doença está no metabolismo: quando o corpo passa a responder mal à insulina — condição chamada resistência à insulina —, o fígado é diretamente afetado. É ele quem tenta compensar o descontrole glicêmico produzindo mais glicose e, ao mesmo tempo, convertendo parte desse excesso em gordura. Com o tempo, o órgão entra em sobrecarga, acumulando triglicerídeos nas células hepáticas. A endocrinologista Daniela Gebrim explica que leva o fígado a produzir e acumular gordura, a chamada esteatose hepática. “O primeiro passo metabólico para reverter esse processo é melhorar a sensibilidade à insulina por meio da perda de peso e do controle glicêmico, interrompendo esse ciclo de acúmulo de gordura hepática”, explica a médica. O que é gordura no fígado? Popularmente chamada de gordura no fígado, a esteatose hepática acontece quando as células do órgão acumulam gordura em excesso. Nos estágios iniciais, a condição costuma ser silenciosa e não apresenta sintomas evidentes. À medida que progride, porém, podem surgir dores abdominais na parte superior direita do abdômen, cansaço, fraqueza, perda de apetite, aumento do fígado, inchaço na barriga, dor de cabeça frequente e dificuldade para perder peso. As principais causas estão relacionadas à obesidade, à diabetes, ao colesterol alto e ao consumo excessivo de álcool. A doença é mais comum em mulheres sedentárias, já que o hormônio estrogênio favorece o acúmulo de gordura no fígado. Ainda assim, pessoas magras, que não bebem, e até crianças também podem desenvolver a condição. Esse mecanismo explica por que a abordagem mais eficaz para eliminar a gordura no fígado começa, obrigatoriamente, pela correção do metabolismo. Não se trata apenas de reduzir calorias, mas de reorganizar a forma como o corpo lida com a glicose. Quando em excesso e passa a direcionar energia corretamente, permitindo que o órgão reduza o acúmulo lipídico. É nesse contexto que entram os medicamentos modernos usados no manejo metabólico. Os agonistas de GLP-1 — como a semaglutida — e os agonistas duplos GIP/GLP-1 — como a tirzepatida — ganharam destaque por promoverem perda de peso consistente, melhora do controle glicêmico e redução direta da gordura hepática. A endocrinologista Marília Bortolotto, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), reforça que esses medicamentos são indicados principalmente para pessoas com obesidade, diabetes tipo 2 ou doença hepática associada à disfunção metabólica. Essas terapias e podem até retardar a progressão da fibrose. Bortolotto alerta ainda para a influência dos hábitos alimentares: “O excesso de carboidratos, açúcar e ultraprocessados estão entre os maiores inimigos da saúde do fígado”. Outra recomendação importante da especialista é o consumo moderado de café. “A ingestão de até duas xícaras de café por dia pode oferecer proteção contra fibrose e câncer de fígado a longo prazo”, afirma. 4 imagens A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundialAlterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregularesNo início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdomeFechar modal. 1 de 4 A esteatose hepática é popularmente conhecida como gordura no fígado Mohammed Haneefa Nizamudeen/Getty Images 2 de 4 A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundial Magicmine/Getty Images 3 de 4 Alterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregulares Science Photo Library - SCIEPRO/Getty Images 4 de 4 No início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdome Magicmine/Getty Images Segundo as especialistas, a perda de peso é um marcador decisivo na reversão da doença. Quando reduzimos ao menos 5% do peso corporal, a gordura hepática já diminui significativamente. A partir de 7%, observa-se redução de inflamação, e — um ponto essencial para evitar evolução para cirrose. Ao mesmo tempo, identificar quem tem maior risco de progressão é fundamental. Pessoas com diabetes tipo 2, resistência à insulina grave, obesidade, dislipidemia ou transaminases persistentemente elevadas fazem parte do grupo que exige acompanhamento mais rigoroso. Exames além do ultrassom — como elastografia (FibroScan), cálculos como o FIB-4 e avaliações laboratoriais de função hepática e glicemia — ajudam a entender o estágio da doença e orientar o tratamento. Em situações específicas, para avaliar inflamação e fibrose. No fim, a melhor estratégia para eliminar a gordura no fígado não depende apenas de uma ação isolada, mas de um conjunto de medidas que reorganizam o metabolismo, protegem o órgão e reduzem os fatores que alimentam a doença. , tratar a resistência à insulina, usar medicamentos quando necessário e monitorar o fígado de forma adequada são os pilares que sustentam essa reversão. Siga a editoria de e fique por dentro de tudo sobre o assunto!
Por: Metrópoles

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