A aparição do jovem líder de extrema direita Jordan Bardella na capa da revista de fofocas Paris Match nesta quinta-feira (9) está sendo interpretada por analistas como o lançamento simbólico de sua candidatura à presidência da França para 2027.
Ao lado da aristocrata europeia Maria Carolina de Bourbon-Duas Sicílias, de 22 anos, o político de 30 anos estampa a manchete "o romance que ninguém esperava", após o casal ter sido flagrado na ilha de Córsega no início do mês. Os rumores sobre o relacionamento já circulavam desde janeiro, quando imagens do presidente do Reagrupamento Nacional (RN) com a duquesa da Calábria e de Palermo surgiram na imprensa francesa e italiana.
A estratégia de exposição ocorre em um momento político crucial, já que Bardella surge como o provável sucessor de sua mentora, Marine Le Pen. Caso Le Pen seja declarada inelegível em julho devido a uma condenação por desvio de verbas públicas, Bardella assumirá a disputa pelo Palácio do Eliseu quando Emmanuel Macron deixar o poder.
Embora lidere as pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno, o jovem político ainda enfrenta desafios para vencer em um eventual segundo turno, o que torna sua imagem pública um ativo valioso.
Segundo especialistas, a escolha da Paris Match para oficializar o suposto romance segue uma tradição da política francesa, já utilizada pelos últimos três presidentes — Nicolas Sarkozy, François Hollande e Emmanuel Macron — meses antes de suas respectivas vitórias. Philippe Moreau-Chevrolet, professor de Comunicação na Sciences Po, explica que, no caso de Macron, a revista serviu para dissipar boatos e humanizar o candidato.
Para Bardella, a tática buscaria construir uma narrativa que o torne mais palatável e demonstre capacidade de compromisso, embora o consultor pondere que a associação com a alta nobreza possa ser arriscada perante sua base eleitoral.
Maria Carolina, que se apresenta como modelo com interesses humanitários, possui um perfil cosmopolita: foi educada em casa, vive entre Monte Carlo, Paris e Roma, e domina seis idiomas, incluindo português e russo.
O contraste entre a sofisticação da princesa e a origem de Bardella, descendente de imigrantes italianos, levanta dúvidas sobre como o eleitorado conservador reagirá. Resta saber se os franceses abraçarão o "conto de fadas" ou se interpretarão o movimento como uma traição do líder populista em favor da elite aristocrática.
Com informações de AFP





