Os ministros da Agricultura dos países da UE (União Europeia) realizaram na 4ª feira (7.jan.2026), em Bruxelas (Bélgica), uma reunião que representa mais um avanço para a assinatura do acordo entre o bloco europeu e o Mercosul. Um dos temas discutidos foi a garantia do uso de 293,7 bilhões de euros da PAC (Política Agrícola Comum) para apoiar os agricultores. O setor teme sofrer uma concorrência desleal caso o acordo seja concretizado.
“A UE está consciente da sua responsabilidade e reconhece plenamente o sentido de urgência sentido no setor. É por isso que as ações têm sido direcionadas para aliviar as pressões e criar novas oportunidades”, diz o comunicado da Comissão Europeia (íntegra – PDF – 157 kB).
A UE também decidiu que vai elevar uma reserva para crises de mercado para 6,3 bilhões de euros e propôs que pelo menos 10% dos recursos de cada Plano Nacional e Regional de Parceria sejam destinados ao apoio a investimentos em áreas rurais. Ainda foram anunciadas garantias adicionais de 40 bilhões de euros para pesquisas em biotecnologia, bioeconomia, saúde e agricultura.
A Comissão Europeia prometeu reduzir as taxas sobre fertilizantes nitrogenados e suspender o imposto de carbono sobre fertilizantes retroativamente a 1º de janeiro deste ano, quando entrou em vigor.
A expectativa é que os 27 Estados-membros autorizem na 6ª feira (9.jan) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a assinar o acordo entre a UE e o Mercosul.
Na 3ª feira (6.jan), Von der Leyen propôs que os países europeus tenham acesso antecipado a alguns fundos agrícolas do orçamento do bloco. O montante que seria disponibilizado aos agricultores seria de cerca de 45 bilhões de euros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretendia assinar o acordo comercial em dezembro –quando o Brasil deixou a presidência do Mercosul. Mas a Itália e a França frustraram as esperanças do petista, argumentando que não estavam preparadas para se comprometer com o texto até que os receios dos agricultores em relação a uma entrada maciça de produtos do Mercosul, incluindo carne bovina e açúcar, fossem resolvidos.
Na 3ª feira (6.jan), a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni (Irmãos da Itália, direita), saudou a proposta de Ursula von der Leyen, descrevendo-a como um “passo positivo e significativo”.

O entendimento preliminar entre os blocos foi alcançado em dezembro de 2024, depois de 25 anos de negociações. O acordo criaria um mercado comum com mais de 700 milhões de pessoas.
A União Europeia é o 2º maior parceiro comercial do Mercosul em bens. Em 2024, respondeu por 57 bilhões de euros em exportações. Em serviços, representa 1/4 das trocas, com 29 bilhões de euros exportados à região em 2023.
O pacto busca reduzir tarifas alfandegárias e facilitar o comércio de bens e serviços, além de incluir compromissos em propriedade intelectual, compras públicas e sustentabilidade ambiental.
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