• Sexta-feira, 22 de maio de 2026

Quem procura os CAPS em SC? Dados mostram recorte inédito da saúde mental no estado

Levantamento inédito do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) mostram quem são os principais usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) do Estado

Santa Catarina passou a contar com um panorama inédito sobre a estrutura e o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O levantamento, realizado em todas as unidades catarinenses, também traça um retrato detalhado de quem utiliza os serviços de saúde mental no Estado — e revela um perfil marcado pela predominância de homens cisgênero, pessoas brancas e adultos de meia-idade.

Os dados integram um painel desenvolvido pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), dentro do Programa Saúde Mental em Rede. A ferramenta reúne informações sobre estrutura, equipes, cobertura e perfil dos usuários dos CAPS em Santa Catarina.

Ao todo, o painel contabiliza 86,1 mil usuários atendidos nos serviços de atenção psicossocial catarinenses. Desses, 52.831 são homens cisgênero, o equivalente a cerca de 64% dos usuários identificados por gênero. As mulheres cisgênero aparecem em seguida, com 29.646 atendimentos.

Os dados também apontam presença reduzida de pessoas trans e não-binárias na rede: foram registrados 118 homens trans, 100 mulheres trans, 20 pessoas não-binárias e 12 travestis.

Na análise racial, a maioria dos usuários se autodeclara branca: são 51.732 pessoas. Usuários pardos representam 8.972 atendimentos, enquanto pessoas pretas somam 3.391. Os números de usuários amarelos e indígenas são menores, com 1.426 e 58 registros, respectivamente.

A faixa etária predominante nos CAPS catarinenses está entre os 40 e 49 anos, com 39.426 usuários. Em seguida aparecem pessoas entre 30 e 39 anos (29.166) e entre 20 e 29 anos (23.278). O levantamento mostra ainda que o número de atendimentos diminui gradualmente nas faixas acima dos 50 anos e também entre crianças e adolescentes.

Entre crianças e adolescentes, os números são significativamente menores: 2.556 usuários têm entre 0 e 10 anos e 7.002 estão na faixa de 11 a 19 anos.

O painel também traz informações específicas sobre o atendimento infantojuvenil. Entre os CAPS que não são especializados em infância e adolescência (CAPS IJ), 55,8% afirmaram atender tanto crianças quanto adolescentes. Outros 19,5% atendem apenas adolescentes e 24,8% declararam não realizar esse tipo de atendimento.

O levantamento também mostra como está distribuída a rede de CAPS em Santa Catarina. Atualmente, o Estado possui 124 unidades, presentes em 95 municípios. A taxa é de 1,63 CAPS para cada 100 mil habitantes. Isso significa que, na prática, o Estado tem pouco mais de uma unidade a cada 100 mil pessoas.

Apesar da presença da rede em parte significativa do território catarinense, mais da metade dos municípios ainda não possui cobertura dos serviços. Segundo o painel, 51,19% das cidades estão sem cobertura de CAPS.

Por outro lado, 40,68% dos municípios possuem cobertura considerada completa. Outros 4,75% apresentam cobertura incompleta e 3,39% têm cobertura parcial.

Segundo os critérios utilizados no painel, a classificação da cobertura dos CAPS considera os parâmetros definidos pela Portaria de Consolidação MS/GM nº 3/2017, que estabelece o número e o tipo de unidades necessários conforme o tamanho da população.

A cobertura é considerada completa quando o município possui a quantidade de CAPS e as modalidades adequadas à sua faixa populacional. Já a cobertura parcial ocorre quando a cidade até possui o número previsto de unidades, mas em modalidades inferiores às recomendadas. A cobertura incompleta, por sua vez, indica que o município não conta com a quantidade mínima de CAPS prevista para sua população.

Pelas regras do Ministério da Saúde, municípios com mais de 15 mil habitantes devem ter ao menos um CAPS I; acima de 70 mil habitantes, a referência passa a incluir CAPS II, CAPS AD e CAPS i; e, em cidades ou regiões com mais de 150 mil moradores, a previsão inclui CAPS III e CAPS AD III.

O levantamento identificou ainda 22 CAPS microrregionais, responsáveis por atender 71 municípios.

O painel foi desenvolvido a partir de um formulário eletrônico aplicado presencialmente pelas Regionais de Saúde durante visitas às unidades, com acompanhamento das Promotorias de Justiça. O questionário reuniu informações sobre estrutura física, equipes, acessibilidade, fornecimento de medicamentos, perfil dos usuários e processos de trabalho.

Os dados são autodeclarados pelos profissionais dos serviços e, segundo o MPSC, devem auxiliar no monitoramento e no planejamento das políticas públicas voltadas à saúde mental.

A iniciativa integra o Programa Saúde Mental em Rede, criado para fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em Santa Catarina. O projeto está alinhado ao Programa Prioriza, que definiu a saúde mental como uma das prioridades institucionais do Ministério Público catarinense em todas as regiões do Estado.

Por: NSC Total

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