A Câmara gastou R$ 301,9 milhões com “divulgação da atividade” de deputados de 2023 a 2025. Nos primeiros 3 anos da legislatura anterior, haviam sido R$ 218,4 milhões para esse fim, já em valores corrigidos pela inflação. A alta foi de 38% no período.
Esse dinheiro de publicidade é usado para divulgar o trabalho dos congressistas em mídias diversas, como jornais e rede sociais. Cada um dos 513 deputados pode se beneficiar dessa verba.
Tudo fica na chamada “cota parlamentar”, que banca outros tipos de regalias aos deputados, como passagens aéreas, carros, gasolina e até entradas em palestras e cursos.
Os gastos com publicidade cresceram tanto nos últimos anos que agora consomem 41% do orçamento da cota. Em 2011, era 17,1%, como mostra o quadro abaixo:

Os dados do infográfico foram corrigidos pela inflação e estão disponíveis no próprio sistema da Câmara.
Os gastos com aluguel de veículos e gasolina também avançam cada vez mais percentualmente sobre o gasto total na cota parlamentar. Essas despesas consumiram 27,5% de tudo em 2025. Em 2019, antes da pandemia, correspondiam a 20,8%.
Os gastos gerais com cota parlamentar (que envolvem publicidade e compra de passagens aéreas) estão na casa dos R$ 250 milhões desde 2019. Antes disso, ficavam sempre acima dos R$ 300 milhões, em valores corrigidos pela inflação. Os números de 2025 ainda vão crescer porque muitos recibos ainda estão para serem registrados.
O avanço das despesas com publicidade mostra uma mudança no perfil de gastos dos deputados. Telefonia e serviços postais, por exemplo, ficaram escanteados, enquanto outros custos subiram.
Os serviços de consultoria e trabalhos técnicos eram custeados pela cota parlamentar até 2023. Depois disso, passaram a ser pagos pelo orçamento geral da Câmara.
Para se ter uma noção, 3.092 empresas diferentes receberam dinheiro 16.839 vezes de deputados em 2025 para divulgação de atividades. É tudo muito difícil de ser fiscalizado da forma devida. Há na prestação de contas até notas feitas à mão descrevendo o serviço.
As informações do ano passado já indicam gastos gerais de R$ 226,3 milhões com a cota parlamentar, sendo R$ 92 milhões com publicidade. Mas esses valores ainda vão subir. Muitas notas são registradas no sistema só depois de um tempo. Tudo indica que as despesas com “divulgação de atividade” dos deputados vão ultrapassar os R$ 100 milhões, assim como em 2023 e 2024.
Marina Atoji, especialista em transparência e articulista do Poder360, disse ser preciso “aumentar o grau de detalhamento” na prestação de contas desses serviços que envolvem publicidade.
“[O sistema] admite uma nota ou até um recibo que diz ‘prestação de serviços de comunicação’ ou ‘prestação de serviços de divulgação parlamentar’, coisas super genéricas. Não sabemos muito bem o que foi feito, se é uma produção de um programa de TV, se é a produção de conteúdo para redes sociais ou até mesmo impulsionamento de conteúdos”, declarou.
A Câmara disse ao Poder360 não haver “monitoramento da publicação dos conteúdos de divulgação da atividade parlamentar”. Tudo fica sob responsabilidade dos próprios deputados.
“O uso da cota para o exercício da atividade parlamentar é regulado pelo ato da mesa 43 de 2009, que prevê recursos para custeio de gastos exclusivamente vinculados ao exercício do mandato (art. 1º). No âmbito administrativo, a Câmara dos Deputados verifica os gastos da cota parlamentar quanto à regularidade fiscal e contábil da documentação comprobatória (art. 4º, §10)”, afirmou a Casa. Leia a íntegra da nota (PDF – 50 kB).
A empresa que mais recebeu para prestar esse tipo de serviço de publicidade aos congressistas em 2025 foi a Meta, que é dona de Instagram, Facebook e WhatsApp. Foram R$ 2,7 milhões destinados a essa big tech.
A Working Associação de Integração Profissional, que funciona como uma agência, ficou em 2º lugar. Ganhou R$ 728 mil no ano passado. O grupo Eldorado Comunicação e Jornalismo aparece na sequência, com R$ 701,7 mil.





