• Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Por que o carrapato prefere certas raças de gado? Genética, odor e resistência

Descubra a ciência de por que o carrapato prefere certas raças de gado. Entenda como genética, odor e imunidade protegem o Zebuíno e afetam o Europeu.

Descubra a ciência de por que o carrapato prefere certas raças de gado. Entenda como genética, odor e imunidade protegem o Zebuíno e afetam o Europeu. O carrapato-do-boi ( Rhipicephalus microplus) é, historicamente, o inimigo número um da pecuária tropical, gerando prejuízos que ultrapassam os US$ 3,2 bilhões anuais apenas no Brasil, segundo dados da Embrapa. No entanto, produtores que observam o rebanho misto notam um fenômeno curioso: no mesmo pasto, sob as mesmas condições, o gado Europeu ( Bos taurus) costuma estar infestado, enquanto o Zebuíno ( Bos indicus) ou o Cruzado apresenta uma carga parasitária significativamente menor. Mas, afinal, por que o carrapato prefere certas raças de gado em detrimento de outras? A resposta não está na “sorte”, mas na biologia evolutiva. A ciência explica que uma combinação de fatores genéticos, imunológicos e até físicos (como a espessura do couro e o odor) cria uma barreira natural que protege certas raças. Entender essa dinâmica é crucial para reduzir custos com defensivos e aumentar a produtividade.
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    A Ciência explica: Por que o carrapato prefere certas raças? Para compreender a predileção do parasita, precisamos analisar a adaptação das espécies. O gado Zebuíno (como o Nelore) coevoluiu com os carrapatos em ambientes tropicais por milhares de anos, desenvolvendo mecanismos de defesa que o gado Europeu (como Angus ou Hereford), originário de climas temperados e livres desse parasita específico, não possui. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Estudos de instituições como a CSIRO (Austrália) e a Embrapa Gado de Corte apontam que a resistência é uma característica de alta herdabilidade. Isso significa que o carrapato prefere certas raças porque encontra nelas “caminhos abertos” para se alimentar, enquanto em outras encontra barreiras biológicas. 1. O Fator Pele e Pelagem A estrutura física é a primeira linha de defesa.
  • Gado Zebuíno: Possui pelos curtos, lisos e assentados, dificultando a fixação das larvas do carrapato. Além disso, possuem a capacidade de mover a pele (o famoso “tremer” do músculo cutâneo) com mais eficiência para expulsar o parasita.
  • Gado Europeu: Tende a ter pelos mais longos e encaracolados, criando um microclima úmido e protegido, ideal para a sobrevivência das larvas. A pele é mais vascularizada na superfície, facilitando o acesso ao sangue.
  • 2. A “Química” do Suor e Odor Um ponto fascinante revelado por pesquisas recentes é o papel das secreções glandulares. O odor exalado pelo gado funciona como um atrativo ou repelente. O gado Zebuíno produz secreções sebáceas e sudoríparas com composições químicas específicas que atuam como repelentes naturais. Já o gado Taurino libera odores que, quimicamente, sinalizam ao parasita que ali há um hospedeiro acessível. É uma das razões químicas do por que o carrapato prefere certas raças. Imunidade: A reação alérgica que salva o gado Além da barreira física, existe a resposta imunológica. Quando uma larva de carrapato pica um animal resistente (como um Cruzado com bom grau de sangue zebuíno), o sistema imune do animal reage quase imediatamente. Ocorre uma reação de hipersensibilidade (similar a uma alergia forte) no local da picada. O corpo libera histamina, causando inchaço e exsudação (liberação de líquidos), o que impede a larva de se fixar e se alimentar, levando-a à morte antes que possa transmitir doenças ou sugar sangue significativo. No gado sensível, essa resposta é tardia ou inexistente, permitindo que o carrapato complete seu ciclo. Dado Importante: Pesquisas indicam que em um mesmo rebanho, animais sensíveis podem carregar até 90% da contagem total de carrapatos. Identificar e tratar ou descartar esses animais “de sangue doce” é uma estratégia de limpeza do pasto. A solução para o produtor Sabendo por que o carrapato prefere certas raças, o produtor não deve ficar refém apenas dos carrapaticidas químicos, que geram resistência nos parasitas. A estratégia moderna de combate baseia-se em dois pilares: Seleção Genética Incorporar a resistência ao carrapato como critério de seleção é vital. Raças sintéticas (como o Brangus ou Braford) buscam equilibrar a qualidade da carne europeia com a rusticidade zebuína. Ferramentas de genômica já permitem identificar touros que transmitem maior resistência aos parasitas para sua progênie. Controle Estratégico Não espere o gado estar “branco” de carrapato para agir. O Controle Estratégico baseia-se em tratar o rebanho nos momentos em que o parasita está mais vulnerável no ambiente (geralmente final da seca e início das águas) e focar nos animais mais suscetíveis. Entender a fundo a relação parasita-hospedeiro e por que o carrapato prefere certas raças tira o produtor do empirismo e o coloca na gestão de precisão. A combinação de genética adequada (cruzamento industrial planejado) com manejo sanitário inteligente é a única via para blindar a lucratividade da fazenda contra esse inimigo milenar. Escrito por Compre RuralVEJA MAIS:
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  • ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
    Por: Redação

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